Contos Escritos Meus

tercio

On 16 Abril 2019

 

Bacalhau da Noruega 1Bacalhau da Noruega 2

A caixa de bacalhau.

 

Escrevendo as lembranças da minha infância no interior do Amazonas, na cidade de Maraã, a presença de meu pai se faz cada vez mais abundante e fecunda, pois, afinal, ele é o personagem principal.

 

No mês de dezembro estava em Manaus e fui a um shopping center e lá, em um de seus estabelecimentos, vi uma grande caixa de madeira (pinho) na qual estava escrito “Bacalhau da Noruega”.

 

Como sempre gostei de caixas de madeiras, especialmente as de vinho e as de charutos, e depois passei a gostar mais quando a Cris me apresentou o livro “O homem que amava caixas”, de Stephen Michael King, me encantei, a despeito do tamanho maior, com a caixa de bacalhau, a qual kiss acrescentar à minha coleção.

 

Me dirigi à gerente do comércio e perguntei-lhe o que fariam com a caixa depois de esvaziá-la. Não lembro a resposta, mas lembro que, ao final da conversa, ela disse que me daria a caixa. Que eu fosse apanhá-la no próximo domingo. Como eu ia viajar no sábado, minha ida ao encontro de meu objeto de desejo seria impossível. Então, encontrei o que achava ser a solução.

 

Pedi a meu filho, que tem carro, que no domingo fosse apanhar a caixa e levasse para a casa da minha mãe.

 

Depois de poucos dias procurei saber com a minha irmã se ele tinha levado a caixa e a resposta foi negativa.

 

Liguei para o filho e a resposta dele foi: “Esqueci”!

 

Engoli a seco!

 

Agora em abril, em Santos, ao passar em frente a um comércio vejo sendo entregues duas caixas iguais àquela lá de Manaus. Entrei e perguntei à portuguesa (sei disso pelo bigode e depois pelo sotaque) se, após as caixas serem esvaziadas, ela me as venderia. A resposta foi sim.

 

Bebi Chopps das 12 às 18:30 horas.

 

Na volta fui atrás das caixas.

 

Ela me vendeu por R$ 20,00 (vinte reais) as duas.

 

Levei para detrás do prédio e fui desmontá-las. O trabalhador do prédio, ao me ver em ação, disse-me, ao saber que eu tinha comprado, que a vendedora costuma jogar tais caixas no lixo. Não me importei com isso, estava feliz com as maravilhas.

 

Desmontei com cuidado (martelo, chave de fenda e alicate) para que os grampos não quebrassem a frágil madeira.

 

Levei-as para o apartamento com a intenção de lavar, mas desisti pelo tamanho do banheiro.

 

Corri atrás de um saco de lixo grande. Arranjei um no boteco em que bebo de vez enquando. O saco era menor que as quatro tabuletas maiores. Tive que colocar uma sacola em sentido contrário e, depois, com barbante, amarrá-los, como já o tinha feito com as tábuas. Ao fim, passei fita gomada e guardei o pacote em um banheiro que chamo dos excluídos.

 

O cheiro forte do bacalhau rescendia muito, só tendo melhorado depois de ensacadas e amarradas as tábuas.

 

Na manhã seguinte apanho um uber e levo o pacote objeto do meu carinho para a rodoviária. Apanho o ônibus e ele vem no bagageiro. Chegando em São Paulo levo-o para o metrô. Linha azul e depois verde. Chego na estação Consolação. Como é domingo, dia de feira, eu seria apenas um expositor a mais. Passo na banca de jornais com meu instrumento debaixo do braço, o qual começa a pesar e apanho os jornais do final de semana e vou para casa. O caminho fica cada vez mais longo e os braços fraquejam, por isso preciso mudar o pacote de braços constantemente. Finalmente chego em casa. Ufa!

 

Desembrulho as tábuas para que o odor do bacalhau não entranhasse nelas mais ainda. O cheiro toma conta do apartamento.

 

Na manhã seguinte: esponja, escova e desengordurante!

 

Lavei-as! Coloquei-as ao sol para que secassem. Felizmente não choveu e elas secaram rapidamente e o cheiro do peixe diminuiu bastante.

 

Contei-lhes tudo isso para dizer-lhes de um dos conselhos do meu analfabeto pai! Dizia ele para mim: “Seja audacioso”!

 

Este foi um conselho que sempre o papai nos transmitiu. Tenha coragem, enfrente, ouse, arroje, enfrente os obstáculos.

 

Creio que ele tinha razão, pois nunca me conformei com o fracasso sem sequer ter tentado.

 

Sempre disse o mesmo para os meus filhos, mas parece que berço de ouro atrapalha um pouco, pois a mãe necessidade, felizmente, não impõe a eles a oportunidade de serem “audaciosos” no sentido que seu Juarez Barbosa de Lima me ensinava!

 

Entretanto, não posso me queixar que eles sejam esquecidos, tenham memória ruim, pois quando lhes prometo algo, sempre para o dia 25 de cada mês (de olho no vencimento do cartão de crédito), no dia 24, às 23 horas, 59 minutos e 59 segundos eles não deixam que eu me esqueça da promessa que lhes fiz. São de uma pontualidade de relógios atômicos, que superam, em muito, os suíços!

 

Me sinto feliz em atendê-los, mas me sinto mais feliz ainda em nunca ter desprezado a bússola na minha vida que foram os conselhos do meu pai.

 

Inté,

 

Osório Barbosax

 

On 14 Abril 2019

 

Linguagem humana

A linguagem humana.

 

A linguagem funciona por ser convencional.

 

Os homens convencionaram/acordaram entre si como chamariam/denominariam as coisas. Que nome dariam às coisas.

 

Como se trata de um acordo, todos, ou a maioria aceitou o nome dado pelo “batismo” dos objetos físicos e “mentais”.

 

Copo é copo porque é copo!

 

A razão, o motivo dele ser copo é o fato de os homens terem dito e aceito que o chamariam de copo.

 

O copo poderia chamar-se bastão e o bastão chamar-se copo! Para isso bastaria que o acordo assim houvesse determinado.

 

Na Amazônia brasileira sempre tivemos o boto-vermelho! Um dia aparece por lá o francês “Jacques Custou Caro” e chama o boto-vermelho de “boto-cor-de-rosa”!

 

Como o francês dispunha de amplo poder na mídia (imprensa), esta passou a divulgar o boto-vermelho como “boto-cor-de-rosa”, as pessoas que não conheciam o boto passaram a chamá-lo somente de “boto-cor-de-rosa”!

 

Mesmo muitos dos nativos, nós, os caboclos da Amazônia, passaram a chamar o nosso milenar boto-vermelho de “boto-cor-de-rosa”!

 

Algumas coisas ressaltam daí:

 

a) que o nome das coisas é dado por acordo entre os machos;

 

b) que a mídia tem um poder imenso, inclusive de mudar toda uma tradição mais que centenária;

 

c) que o mundo da cultura é dominado por quem a impuser, especialmente de forma sutil, sem a violência explícita, mas pelo convencimento vindo das palavras e da beleza com que elas são ditas.

 

Assim, só é possível um fraco entendimento entre os humanos se houver boa vontade em primeiro lugar, depois por conta das metáforas, sinônimos e exemplos.

 

Vejam que acima eu usei: “convencionaram/acordaram” e “chamariam/denominariam”, tudo para tentar me fazer entender.

 

Não sei se consegui!

 

Mas sei que não consegui! É que tudo que eu disse pode ser contestado, de boa ou má-fé, sendo que esta, a má-fé, pode vencer a disputa cultural.

 

Pense nisso, mas, antes, no seguinte:

 

No Nordeste brasileiro tem um ditado popular, usado para quando se quer aprovar algo, que diz:

 

“É justo que nem boca de bode”!

 

Você já viu uma boca de bode?

 

Sabe a razão do ditado?

 

Essa sabedoria popular vem da comparação, algo que, como eu disse, permite o diálogo.

 

O sábio, ao olhar as bocas dos bodes, percebeu que os lábios superiores são iguais, têm o mesmo tamanho, dos lábios inferiores, ou, o contrário, os lábios inferiores são iguais, têm o mesmo tamanho dos lábios superiores. Ou seja, não são maiores nem menores, são iguais, logo, são justos!

 

Assim, quem conhece os bodes ou foi aculturado em um ambiente em que se usa o ditado mencionado, ao ouvi-lo, já faz ideia do que se trata, daquilo que quem o usa quer dizer.

 

E, assim, falamos, e, assim, fazemos poesias e encantamos!

 

Mas, tudo isso, desde que A ouvinte (receptorA) tenha boa vontade (disposição) para nos ouvir.

 

Se não tiver disposição, pregaremos no deserto. Seremos indiferentes.

 

Se tiver disposição, achará qualquer tolice dita pelo emissor um belo poema de Lúcia Santos ou Augusto Assis Cruz Neto!

 

E assim vamos vivendo e, de vez em quando, fazendo filhos!

 

Inté,

 

Osório Barbosa.

 

Fonte da imagem: https://sites.google.com/site/linguaelinguistica/home.

 

On 09 Abril 2019

O Advogado do diabo

 

PGR DF

Bilhete a um jovem membro do MP.

 

À Rilke(1) me atrevi te escrever este bilhete, sem o mesmo brilhantismo, contudo. Não vou citar a ministra(2) pelo que disse do ministro(3) que também escreveu uma “Carta a um jovem juiz”, imputando-lhe conduta que não deve nortear a atuação dos destinatários.

 

Vejam: todos os subprocuradores-gerais da República já foram procuradores da República e procuradores regionais da República. Estes já foram procuradores da República. Assim, vocês são o início, realmente, e podem construir todos os fins, mas os outros também já o foram e abriram os caminhos que vós trilhais. Ou não encontraram nada que justifique que houve antecessores?

 

Para o bem ou para o mal, acredito que sim, que pioneiros existiram. Pois bem, sou como a maioria dos senhores, de ingresso posterior à Constituição de 1988. Fui aprovado no último concurso sob a batuta de Aristides Junqueira Alvarenga. Na casa, como procurador federal dos direitos do cidadão, encontrei Álvaro Augusto Ribeiro da Costa, cuja uma dentre as muitas lições relembro a seguinte: “sobre os ratos, é preciso jogar luz, pois eles temem a claridade”.

 

Quando cá cheguei/chegando, bem como os demais colegas de concurso, acreditava que o MPF era o ponto de apoio que me faltava para mover o mundo. Ainda acredito nisso, mas já não tanto na minha alavanca! Não que ela tenha “morrido”/quebrado, mas porque ela precisa ser retomada (ajudada) por outros, pois o próprio tempo se encarrega de diminuir as forças do candidato a movedor. O tempo, infelizmente, é o corruptor mais implacável de todos, pois chega a degenerar o próprio corpo e, consequentemente, seus consectários, como a própria beleza!

 

Mas o tempo também, como sabem (“o silêncio e o tempo são dois mudos que falam”), é o senhor da razão. Também cheguei a pensar que aqueles que me antecederam nesta nossa casa nada fizeram por ela. Consequentemente, pela sociedade. Estava enganado, como, de resto, costumo sempre estar. Eu não teria sido capaz de realizar o modesto trabalho institucional que realizei e realizo se não tivesse encontrado o caminho aberto pelos nossos antecessores.

 

Portanto, respeita os mais velhos, independentemente da idade, pois o que a ti pode ser novidade para eles pode ser apenas a repetição de um filme já visto de há muito. Isso não significa que não possas ser um brilhante cineasta e assim fazer todas as releituras possíveis. Só não tenhas tanta certeza de que todas elas serão as melhores. Então, aceita a divergência, pois, como tu, ninguém é dono da verdade. Lembra-te de que Galileu não acertou todas!

 

Então me perguntarás: “encontra-te satisfeito? Tua missão está cumprida?” Não, claro que não. Lembras que te convidei para juntar forças na minha palanca? Pois é...

 

É claro que tenho reservas a pessoas (como elas certamente as têm com relação a mim) e às falhas pontuais da instituição MPF. Mas acredito, acima de tudo, que essas falhas são apenas um incentivador convite às suas correções. E tu, jovem amigo de caminhada, és o convidado privilegiado que irás corrigir o que corrigido precisa ser. Mas, cuidado: és humano e, como tal, padeces das limitações que disso decorre. Portanto, seja altivo e corajoso, mas prudente. Inove, mas procure ver as razões dos vencidos (antecessores). Não erre, mas se errar, procure consertar seu erro. Lembra-te sempre que “não tens compromisso com o erro”. Seja duro no cumprimento do dever, porém não seja soberbo, pois tratas com seres humanos que, além de serem iguais a ti, são teus senhores, pois és um “servidor do público” e o público é o contribuinte que sustenta a ti, tua esposa, teus filhos e teus pais, muitas vezes. Mesmo que não fosse, respeita-o em sua dignidade. Não te niveles com o criminoso por baixo, exatamente descumprindo a lei para prejudicá-lo.

 

Não persiga o forte por essa sua simples condição que o sistema lhe permitiu, nem por inveja. Mas também não persiga o fraco por essa sua condição. Também não se curve àquele por aquela condição, nem a este por piedade. Não deves temer a nada, a não ser a possibilidade de cometeres injustiça contra ambos. Por isso não os olhes por suas condições, mas pela falta que cometeram.

 

Assim, não condenes antecipadamente os que te antecederam, pois, no mínimo, eles te deixaram os seus erros, exatamente para que tu não voltes a cometê-los.

 

 

 

Não és o carpinteiro de teu próprio berço, não importa se ele é de madeira dura ou de plumas. O importante é que deixes um melhor para teus filhos, no caso, que deixes um MPF melhor para aqueles que, inelutavelmente, te sucederão.

 

Do Osório Barbosa

 

São Paulo, 11/25/09.

 

Fonte da imagem: www.cgu.gov.br.

 

Notas:

[1] Rainer Maria Rilke, poeta alemão que escreveu “Carta a um jovem poeta”.

[2] Eliana Calmon. Fonte: O Estado de São Paulo, 22/11/2009.

[3] César Asfor Rocha.



 

 

 

On 05 Abril 2019

 

Sentença e Estadão 2

A imprensa navega na impotência do poder judiciário!

 

A dialética criada pelos Sofistas é insuperável!

 

Hegel avançou no estudo da matéria e Marx pôs a cereja no bolo!

 

O poder judiciário (nunca confunda ele com Justiça, que é outra coisa!), é mal quando julga contra meus interesses, é bom quando castiga meus inimigos.

 

A celeridade do poder judiciário só é boa quando se impõe aos meus adversários!

 

A morosidade do poder judiciário é ótima quando me beneficia!

 

Como fazer a síntese?

 

Vejam esse exemplo corriqueiríssimo e façam a síntese necessária.

 

Luiz Antonio Fleury Filho, ex-governador do Estado de São Paulo, em 14 de agosto de 1998 foi atacado por editorial do jornal da Tarde, pertencente ao grupo Estado (OESP).

 

Entrou (ajuizou) com ação junto ao poder judiciário por danos morais e direito de resposta.

 

Hoje, 05.04.2019, VINTE (20) ANOS, o jornal publica o direito de resposta!

 

Da matéria injuriosa constou: “Assim é que por durante oito longos anos, a instituição (Ministério Público) foi cooptada pelo então governador Orestes Quércia e perdeu inteiramente sua autonomia, convertendo-se em mero braço auxiliar do Palácio dos Bandeirantes."

 

Não sei as razões do comentário do jornal!

 

Não sei se as práticas nas relações Governo do Estado e Ministério Público Estadual mudaram depois da matéria, mas é certo que, nos últimos cerca de 18 (dezoito) anos em que assino o jornal, justamente para fazer o contrário do que ele diz, não vi mais comentário de igual teor.

 

Acho que nos governos posteriores o Ministério Público de São Paulo voltou a atuar sem quaisquer amarras impostas pelos governadores dos últimos anos!

 

Que alento!

 

Uma coisa boa tem a matéria, pois, para quem vem dizendo que a história começou ontem, o jornal informa que em 1998 fazia-se “Cerco a prefeitos corruptos”!

 

Certamente que é esse o motivo da condenação, pois jamais houve corrupção no país! Aliás, ela é bem recente, data de certa de 2003, segundo prega todos os dias o mesmo jornal.

 

Assim, caro leitor que chegou até aqui, tire suas conclusões numa síntese brilhante como o é toda aquela que você faz!

 

Inté,

 

Osório Barbosa

 

On 21 Março 2019

 

COERÊNCIA E COESÃO

Concedendo a quem não quer receber!

 

Amigxs, companheirxs, camaradxs, debatedorxs,

 

queremos aqui fixar alguns pontos que talvez ajudem no debate em busca de um entendimento dito racional entre nós!

 

Costuma-se dizer que o que difere o homem dos demais animais é a racionalidade!

 

Embora poucos digam como se forma essa racionalidade (ou a razão), sendo Marx um dos mais explícitos sobre o tema, e que por isso deve ser conhecido, como tudo o mais que tem que ser conhecido mas não prestamos atenção, preferindo aceitar os que os outros nos dizem sobre o assunto, muitas vezes de forma distorcida, quando poderíamos saber, diretamente, com o autor, vamos aceitar com razão o seguinte: “a capacidade do homem de conhecer a si, o seu passado e, assim, ser capaz de projetar o seu futuro, pois tem condições de saber que determinadas causas provocam determinados efeitos. Ou seja de saber das coisas e se comportar de acordo com elas”!

 

Se você for capaz de ver ou ouvir algo e, com o conhecimento (acumulação de lições do passado) que tem saber as consequências que podem advir do comportamento que você tomar diante da situação, então você é racional.

 

Por exemplo: você tem que escalar um muro de cinco metros de altura. Ao lado tem uma escada de quatro metros e meio e um barril de dois metros. Qual dos dois você utilizará?

 

Se sua resposta for o barril, você não é um racional, pode crer.

 

Pois bem!

 

Vamos falar da situação política construída pela mídia nos últimos dez anos e que muitos acreditam nessa construção, tudo por falta de buscar melhores informações.

 

Segundo a mídia, o grande adversário do povo brasileiro é o ex-presidente Lula!

 

Diz ela, e quem não para para pensar acredita, que Lula é o maior ladrão da política brasileira, quiçá mundial.

 

Seria isso verdade?

 

Não vamos dizer que sim nem que não, mas veja o seguinte:

 

- Que provas, você que acusa Lula todos os dias, tem contra ele e os seus familiares?

 

Por exemplo: cremos que amigxs lá de Maraã, de Manaus, de São Paulo e por todo o Brasil, têm provas que a nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público Federal, nem a Justiça Federal, nem a imprensa conhecem!

 

Então, por que esses amigos que dispõem dessas provas que comprovam que Lula e seus familiares são ladrões, não entregam essas provas das fortunas às autoridades que estão ansiosas para chegar a elas?

 

Nós, por exemplo, também gostaríamos de vê-las, até para que todos da família fossem processados e condenados pelos “roubos” que “dizem’ diz que eles praticaram!

 

Tais provas também serviriam para que nós, os subscritores, nos juntássemos a vocês para pedirmos a condenações desses ladrões, como fazemos com todos os demais ladrões cujas provas abundam nas nossas caras.

 

Vamos lá, por favor, nos mostrem.

 

Ousamos informar-lhes, entretanto, do seguinte, a fim de que os amigxs pensem mais na e sobre as suas condições de acusadores:

 

“Polícia Federal, Ministério Público Federal, Justiça Federal, e imprensa, juntos e misturados, viraram a vida de Lula e sua família pelo avesso, do avesso, do avesso do avesso e não encontraram as provas das riquezas que xs amigsx, não por desconhecimento, afinal são gênios de todas as espécies de formação, mas por má-fé decorrente do fanatismo econômico-político-religioso dizem existirem, sem contudo, mostrarem onde”!

 

A sociedade, certamente, lhes ficará eternamente agradecida, e nós também, por pertencermos a essa sociedade e não querermos ladrão algum da coisa pública solto.

 

Obrigado, desde já!

 

É que somos daqueles que querem todos os ladrões julgados e condenados, caso existam prova para isso, portanto, não defendemos um “Lula ladrão” nem nenhum outro de igual espécie, mas, defendemos sim, qualquer pessoa caluniada, pois calúnia também é crime, quando contra a pessoa caluniada não exista qualquer prova!

 

Você poderá argumentar: “Ele é tão culpado que até está condenado”!

 

Um parêntese: sendo assim, se você acredita que Jesus Cristo foi condenado injustamente pelos judeus pode esquecer!

 

É que o argumento que você usa contra Lula é o mesmo que você usa a favor de Jesus!

 

Algo que, comumente se chama, em Direito, de erro judiciário.

 

Só que, no caso do Lula, não se trata de erro judiciário, mas de perseguição pura e simples do poder judiciário contra ele!

 

É que, como lhes dissemos acima, talvez apenas VOCÊ tenha “as provas que provam” que Lula “é ladrão”, pois os juízes que o condenaram não as tem!

 

“Como os juízes nãos as têm, já que o condenaram?”, vocês podem nos perguntar. Ao que nós responderemos:

 

1 – da mesma maneira que condenaram Jesus;

 

2 – porque quiseram condenar um inocente que os incomodava, então, em casos assim, as provas são desnecessárias, basta a vontade dos juízes.

 

É isso!

 

Mas, se você quiser ser uma pessoa com honestidade intelectual, você pode encontrar inúmeros motivos para criticar o Lula e sua política.

 

Vamos dar alguns exemplos para que você saia daquela neurose de quem não é contra é a favor, pois nosso compromisso é com a defesa da legalidade, seja quem for aquela pessoa que sofra uma injustiça – nossa amiga ou inimiga – estaremos do lado da lei. Eis:

 

I – Lula não combateu o sistema bancário;

 

II – Lula não cobrou os grandes devedores da previdência social;

 

III – Lula não se empenhou para regulamentar a taxação das grandes fortunas;

 

IV – Lula concedeu isenções tributárias milionárias;

 

V – Lula não abriu a “caixa-preta” do poder judiciário (aliás, senadores, agora, 2019, querem fazer isso);

 

VI – Lula não perseguiu seus adversários mandando apurar seus desmandos. Pode até ter sido conivente com os crimes deles, pois prescreveram;

 

VII – Lula não fez a prometida reforma agrária, reforma urbana, reforma política, não fez um bom governo para os povos indígenas, para o meio ambiente etc.

 

Ou seja, você tem argumentos sólidos para combater o Lula, os quais, acreditamos, serem melhores para você e para o Brasil.

 

Se você não tem capacidade de articular uma ideia, que tal se instruir (estudar)? É cansativo, mas vale a pena, creia-nos!

 

Um adendo: nós, os subscritores, somos servidores públicos de carreira. Adentramos no serviço público por concurso antes da primeira vitória de Lula, portanto, nada devemos a ele quanto aos nossos modos de subsistências.

 

Lula e Dilma foram extremamente ruins na concessão de reajustes salarias para os servidores públicos, mas, nem por isso, os odiamos, pois acreditamos, que os recursos que não vieram em forma de reajustes tiveram uma utilização tão digna quanto. As bolsas, as universidades, por exemplo.

 

Portanto, pensemos em um Brasil melhor, mas, acima de tudo, com Justiça para todos, inclusive para os nossos inimigos, os quais, felizmente, não os temos.

 

Quanto a Justiça falha com um cidadão, toda a sociedade fica ameaçada. A perseguição judiciária contra Lula, condenado em ação criminal por “atos indeterminados” e, portanto, sem prova, é uma ameaça a todos nós que estamos sujeitos ao mesmo sistema jurídico. Direitos, como a presunção de inocência ou não culpabilidade até decisão definitiva, são inegociáveis, pois foram conquistados com luta e sangue de gerações antes de nós. É nosso dever protegê-los, para nós mesmos e para as futuras gerações, não importa se gostemos ou não do “réu do momento”.

 

Osório Barbosa e Luciana Valente.

 

Fonte da imagem: http://www.comomontartcc.com.br/.

On 12 Fevereiro 2019

Joaquim Lira 1a_e_Joaquim Lira 2a

Você conhece o “seu” Joaquim Bezerra de Lira?

 

Passados tantos anos, cerca de cinquenta(!), os detalhes vão se anuviando, mas acho que a história é a seguinte:

 

Viemos do Bom Futuro e chegamos em Maraã um pouco antes, ou muito próximo, à chegada do seu Joaquim Lira.

 

Eram os anos 70!

 

Era o casal Joaquim e D. Maria Anália de Souza Lira.

 

Vieram da ilha do Samaúma, da comunidade bom Jesus, no rio Japurá, nas proximidades da boca do rio Puré.

 

Não lembro quando o casal se tornou compadre e comadre dos meus pais (Juarez Barbosa de Lima e Maria Rosa Silva Barbosa), para mim parece que já nasceram compadres!

 

O casal já chegou com alguns dos seus filhos, ao que lembro já eram nascidos: Darcy, Zeneyde e Mineval.

 

Depois vieram mais, muitos mais (rs), dentre eles: Maria Aparecida, Maria Ivonete, Maria Rosilda, Mara Greice, Darcirley e António Ribamar (Toinho).

 

Todo esses estão vivos!

 

Deixaram os amigos e, com muita dor, seus pais, a Andreza, o Edival, o Sidney (o Carequinha) e a Ivoneide.

 

Andreza e Edival ainda esperam por Justiça!

 

É muita gente!

 

Hoje seu Joaquim e D. Maria Anália têm dezenas de netos e, penso, até bisnetos! Ou seja: estão com a posteridade garantida.

 

Vendo esse grande número de filhos, me recordo que, para nós, meninos de Maraã, algo que nos chamava muito a atenção era a disparidade de altura entre seu Joaquim e D. Maria Anália! Ele medindo cerca de uns dois metros e ela apenas cerca de um metro e cinquenta centímetros!

 

Nos perguntávamos – na época éramos curiosos, mas respeitadores – como eles “namoram”? Ele é tão alto e ela tão baixinha!

 

Não sabíamos, ainda, que, na horizontal as alturas se desmancham em amor!

 

A vida sempre se imita e se repete em algumas coisas, assim é que anos depois, Zeneide (que era apelidada de “Cobra”, não sei por qual motivo) casou-se com o “Sabá” Gama!

 

Qual a curiosidade nisso?

 

As alturas de Zeneide e “Sabá” repetiam as proporções dos pais dela!

 

Meninos admirados, comentávamos esse acontecimento.

 

Darcy logo namorou com o Deco e estão casados desde sempre!

 

Zeneide sumiu no mundo (mora em Manaus) e não a vejo faz muitos anos. Nas últimas fotos dela estava, agora, sim, uma mulher de verdade! Ganhara volume e mais beleza.

 

O Mineval era menor que nós e eu, particularmente, costumava “tentar educá-lo” com alguns cascudos, mas ele não era de buscar enfretamento físico.

 

Estes três últimos filhos citados foram aqueles com os quais mais convivi, os demais (Ivonete etc.) eram muito “pequenos” ainda.

 

D. Maria Anália, sempre sorridente, “não fazia mal à comida que comia”, como dizia papai. Sempre usando vestido florido e sempre com um corpo de modelos modernas: magrinha, magrinha!

 

Infelizmente a matriarca já nos deixou!

 

Seu Joaquim, que tinha tudo para ser metido a valente, pois seu corpanzil impunha respeito, nunca foi homem de andar envolvido em brigas e confusões. Ao contrário, sempre tinha um sorriso largo a oferecer.

 

Joaquim Lira é uma espécie de Martinho da Vila, exceto na tez! Com ele tudo parece ser "devagar devagarinho", exceto para reproduzir! Rs.

 

Durante um tempo “tirava” areia para a prefeitura! Creio que na administração de Odorico Bezerra e/ou Simão Netto. Trabalhava duro!

 

À noite, acompanhado de D. Maria Anália, estava sempre elegante!

 

Constantemente lembro de seu Joaquim e sua sandália de sola de cor marrom!

 

Já não estava mais morando em Maraã quando D. Maria Anália faleceu.

 

Já não estava mais morando em Maraã quando foi inaugurado o “Clube Rouxinol”!

 

Solteiro (viúvo), bonito, elegante e com capital (“grana”), seu Joaquim tornou-se irresistível para as moças belas (isto é uma redundância) de Maraã!

 

Ele, que sempre fora um marido exemplar, até onde sei (rs), correu atrás do que alguém poderia chamar, para facilitar o diálogo, de “prejuízo” e tornou-se um garanhão! Um grande namorador.

 

O local que elegeu para suas conquistas foi o “Clube Rouxinol”!

 

Foi nesta casa que fez a alegria de muitas damas e mulheres!

 

Foi lá que distribuiu sorrisos, abraços, beijos e outras coisas mais, tudo envolvido pelo seu perfume de macho delicado!

 

Seu Joaquim aproveitou a vida de solteiro, sempre com elegância e educação, coisa difícil para muitos brutos que pensam que ser homem é ser valente e mal educado.

 

Parabéns seu Joaquim pela vida que levou!

 

Soube que seu Joaquim não anda nada bem de saúde! Pouco fala e pouco reconhece os seus filhos e netos!

 

Mas, o fundamental: continua a distribuir o seu sorriso largo com o qual saúda aqueles que o conhecem e encantou muitos corações.

 

Que a vida lhe seja generosa seu Joaquim e receba desse seu amigo um longo e afetuoso abraço, que espero renová-lo pessoalmente quando, em breve, voltar à nossa cidade querida.

 

Inté,

 

 

Osório Barbosa

On 31 Janeiro 2019

Bondade americana 

Caro Fabio,

vamos lá?

(o texto irá em duas ou mais partes, pois os caracteres excederam a norma. kkk)

Minhas impressões então entremeadas no texto, mas identificadas com “[Osório diz:]”

"O que fazer com filósofos do passado que se revelaram racistas e sexistas?

[Osório diz: lê-los!]

Mais útil que proibir é indagar se eles seriam preconceituosos ainda hoje, afirma autor

[Osório diz: complicado esse exercício de futurologia! Creio que temos que olhar o momento e a situação em que o filósofo escreveu]

[RESUMO] Autor vê equívoco no julgamento de pensadores que manifestaram preconceitos arraigados em épocas menos esclarecidas e defende que mais útil é indagar se seus modos de pensar os levariam a ser preconceituosos hoje.

[Osório diz: os equívocos acompanham o homem como uma sobra, logo, não podemos fugir de nossos fantasmas, e este é um deles.]

[Osório diz: “épocas menos esclarecidas”?! Com assim? Esses filósofos continuam a ser atuais e paradigmas até hoje! Aliás, parece que aquela época é que era a esclarecida, já que as que a sucederam não “criaram nada”! Tanto assim que, repito, eles ainda são a referência]

[Osório diz: “... ser preconceituoso hoje” é futurologia, talvez a “Mãe Dinah” ou outro 171 tenha a resposta]

Admirar os grandes pensadores do passado virou um risco moral.

[Osório diz: Sim! Se o admirarmos cegamente! Temos que ver as virtudes os defeitos. Ninguém é só virtude ou somente defeitos!]

[Osório diz: parênteses: penso que temos algumas premissas a estabelecer: (i) filosofia ou política?, (ii) filósofo ou empregado? e (iii) material ou espiritual?

Não vou me preocupar, no momento, em dizer que tudo na vida (até o respirar) é política, portanto, a Filosofia também o é! O que quero dizer e digo é: uma pessoa (pensador) pode fazer filosofia e política ao mesmo tempo. Falo da política partidária. Portanto, pode usar sua filosofia para fazer política. Mas pode também separar as duas coisas!

Vamos ao exemplo de Carlos Drummond de Andrade: era funcionário público e poeta. Seu agir enquanto servidor público, certamente, não era externado em versos e rimas.]

O filósofo tem que sobreviver (precisa comer) e aqui ocorre mais uma possível separação: filósofos ricos e filósofos pobres.

Grandes artistas eram pobres (fiquemos com os do Renascimento), precisavam de mecenas. Como então, o português Miguel Ângelo, que viveu sobre o mecenato, chamaria os papas de corruptos e devassos? Entre comer e passar fome os artistas (dentre eles os filósofos) optam pela satisfação da necessidade imediata.

Sócrates e Diógenes, por exemplo, mesmo com as lendas que os cercam, eram mais amigo mesmo é da comida. Precisam de alguém para sustentar suas lições.

Creio ter falado arriba sobre duas premissas. A seguinte é: um filósofo ensina como administrar uma cidade (coisa que estão condenados a nunca executar, pois sempre haverá uma discussão anterior à resolução do problema e isso não tem fim!); outro cria a penicilina.

Chamo de espiritual o ensinamento do primeiro e material o do segundo.

Se o filósofo mau-caráter criou a penicilina e ela funciona, por que discutir?

(não vamos falar de efeitos colaterais e da superação da penicilina).

Já quando o filósofo ensina a governar temos que fazer uma série de perguntas depois de lê-lo, claro.

Em que ambiente de necessidade ele escreveu isso? Escreveu para quem? Escreveu para quê? A quem precisava agradar? A quem não queria desagradar?

Como se vê, as respostas secas & molhadas são complicadas, se é que existem!

Mas vou deixar para o final a crítica que fiz e que é a razão do questionamento. Critiquei Platão e Aristóteles!].

Elogie Immanuel Kant e alguém pode lembrar a você que ele acreditava que “a humanidade alcança sua maior perfeição na raça dos brancos” e que “os índios amarelos possuem talento escasso”. Louve Aristóteles e você terá que explicar como é possível que um sábio genuíno possa ter pensado que “o macho é por natureza superior, e a fêmea, inferior; o homem é o governante, e a mulher, a súdita”.

[Osório diz: Eu não sabia até pouco tempo, pelo fato de Kant nunca ter saído de sua cidade, que ele frequentava o círculo dos governantes (da nobreza). Suas festas e banquetes. Além de ser um Professor.

Como em um ambiente desses falar contra a escravidão? Exploração de negros?

Complicado né?

Professor só era Professor por conta do Estado (reis) deixar que ele o fosse.

Assim, como falar contra os comensais e o empregador?]

Escreva um tributo a David Hume, como fiz recentemente, e será criticado por louvar alguém que escreveu em 1753-54: “Tendo a suspeitar que os negros e todas as outras espécies de homens, em geral, sejam naturalmente inferiores aos brancos”.

[Osório diz: embora Hume não seja inglês, é como se..., pois é escocês!

Nunca trabalhou! Estudou em cima de herança! Serviu ao governo inglês (militar).

A Inglaterra e arredores jamais veriam os negros sequer como seres humanos, pois muito de sua riqueza está fundada no tráfico e trabalho escravo!

Creio que isso é suficiente para influenciar o pensamento do autor.

Preciso justificar minha boa vida!]

Parece que estamos diante de um dilema. Não podemos simplesmente descartar como insignificantes os preconceitos inaceitáveis do passado. Mas, se pensarmos que a defesa de opiniões moralmente repreensíveis desqualifica alguém de ser visto como grande pensador ou líder político, não restará praticamente ninguém da história.

[Osório diz: é sempre assim! O cara começa bem (vejam os julgamentos nos tribunais!), porém, quando ele coloca o “MAS”, viradas de 180 graus ocorrem, sendo elas construídas sobre o “nada a ver”! Foi o que fez o autor!

Que importa se não sobrem ninguém!

Temos que aceitar simplesmente pelo fato de não sobrar?

Ainda bem que ele se salva ao usar o “praticamente”!

O que significa que sobra alguém sim!]

O problema não desaparece se excluirmos os homens brancos do establishment. O racismo era comum no movimento sufragista feminino de ambos os lados do Atlântico.

[Osório diz: assumo uma premissa: TODOS SOMOS PRECONCEITUOSOS, uns mais, outros menos. A grande e necessária possibilidade que temos é não usarmos os nossos preconceitos. Nos educarmos para sufocá-los dentro de nós!]

A sufragista americana Carrie Chapman Catt disse: “A supremacia branca será fortalecida pelo sufrágio feminino, e não enfraquecida”. Emmeline Pankhurst, sua companheira britânica na luta, virou defensora acirrada do colonialismo, negando que ele fosse “algo a ser criticado ou do que se envergonhar” e insistindo que, em vez disso, “é algo grandioso sermos os herdeiros de um império como o nosso”.

[Osório diz: o que diz Emmeline cabe, como luva, ao que disse sobre Hume! A preocupação é a preservação do império, da vida boa, mesmo que isso esmague a vida de outros.

Já a frase de Carrie me parece bem colocada dentro do contexto! O que ela queria vencer era a resistência dos brancos!

Brancos escravizam mulheres e negros em nome de sua supremacia. Carrie diz: sua supremacia não será atingida senhor branco, caso o sufrágio às mulheres seja concedido.

Parece uma conquista por etapas.

Não se pode dar o pé, que depois querem a mão”, alguém certamente disse depois.]

Tanto o sexismo quanto a xenofobia têm sido comuns no movimento sindicalista, tudo isso em nome da defesa dos direitos dos trabalhadores — dos trabalhadores homens e não imigrantes, que fique claro.

Mas é um equívoco pensar que ideias racistas, sexistas ou intolerantes de outras maneiras automaticamente desqualifiquem uma figura histórica como objeto de admiração. Qualquer pessoa que não consiga admirar figuras assim revela uma profunda falta de entendimento sobre como nossas mentes são condicionadas socialmente, mesmo as maiores delas.

[Osório diz: automaticamente não! Deixa-se de admirar justamente quando se conhecem os erros cometidos! Portanto, nada de automaticamente.

Nossas mentes são condicionadas socialmente”! Voltarei a isso mais embaixo].

Pelo fato de o preconceito parecer tão evidentemente errado, essas pessoas não conseguem imaginar como alguém possa deixar de enxergá-lo, a não ser que seja degradado em termos morais.

[Osório diz: sim! Especialmente quando o preconceituoso é um “gênio”!]

A indignação dessas pessoas supõe de modo arrogante que elas próprias são tão virtuosas que jamais seriam tão imorais, mesmo quando todos a sua volta fossem incapazes de enxergar a injustiça. Já deveríamos saber que isso não é verdade.

[Osório diz: nada disso! Pelo menos comigo! “Jamais” é uma palavra que ‘jamais’ deve ser usada!

O autor se esquece que estamos tratando de seres humanos!

Isso não significa, contudo, que, por todos estarmos sujeitos ao cometimento de falhas, devamos aceitar as falhas dos “gênios”! Ao contrário, a eles a cobrança deve ser maior!

Lembrei-me de frase irônica de Stanislaw Ponte Preta: “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!”

Basta invertê-la: “se todos somos imorais, esqueçamos a imoralidade dos “gênios”!]

A lição mais perturbadora do Terceiro Reich é que ele foi apoiado em grande medida por cidadãos comuns que teriam levado vidas isentas de culpa, não fosse o acaso de terem vivido naqueles tempos particularmente tóxicos.

[Osório diz: e as virtudes de Hitler em construir o fusca, em dar emprego a Albert Epeer e preservar Paris?

Aqui o autor muda e cai na vala que ele vinha dizendo que condenava!]

Qualquer confiança que possamos sentir no fato de que nós não faríamos o mesmo é infundada, já que hoje temos consciência do que as pessoas na época não sabiam. Tolerar o nazismo hoje é inimaginável, porque não é preciso imaginação alguma para entender exatamente quais foram suas consequências. Por que tantas pessoas acham impossível acreditar que qualquer chamado gênio possa ter deixado de enxergar que seus preconceitos eram irracionais e imorais?

[Osório diz: por serem gênios, macho, como dizem os cearenses!]

Uma razão disso é que nossa cultura parte de uma premissa equivocada e muito arraigada: que o indivíduo é um intelecto humano autônomo, independente do ambiente social. Um conhecimento mesmo superficial de psicologia, sociologia ou antropologia jogaria por terra essa ilusão cômoda.

[Osório diz: sim! Mas no meio do lodo nasce a flor! E os “gênios” fdp’s deveriam saber disso!

Deviam dizer: “Estou perdido no meio de um mar de merda, mas que eu queria que fosse um mar de mel, para mim e para os demais seres humanos!]

O ideal do Iluminismo de que todos somos capazes e devemos pensar por nós mesmos não deve ser confundido com a fantasia hiper-iluminista de que todos somos capazes de pensamento independente. Nosso pensamento é moldado por nosso ambiente, de maneiras profundas das quais nós mesmos não temos consciência. Aqueles que se negam a aceitar que são tão limitados por essas forças quanto todas as outras pessoas têm delírios de grandeza intelectual.

Quando uma pessoa está arraigada em um sistema imoral, torna-se problemático atribuir responsabilidade individual. Isso é perturbador, porque todos acreditamos com firmeza na ideia de que o lócus da responsabilidade moral é o indivíduo autônomo. Se levássemos a sério o condicionamento social de crenças e práticas repulsivas, o medo é que todos seriam perdoados e que nos restaria um relativismo moral intolerável.

[Osório diz: concordo somente com o final!

O autor perdoa os racistas, mas não os nazistas!]

Mas o receio de que seríamos incapazes de condenar o que mais precisa ser condenado é infundado. A misoginia e o racismo não são menos repulsivos pelo fato de serem produtos de sociedades, tanto ou mesmo mais do que de indivíduos.

Desculpar Hume não quer dizer tolerar o racismo; desculpar Aristóteles não é desculpar o sexismo. Racismo e sexismo nunca foram aceitáveis: as pessoas apenas acreditavam, de maneira equivocada, que fossem.

[Osório diz: equivocadas? “Gênios” equivocados?]

Aceitar isso não significa passar por cima dos preconceitos do passado. Tomar consciência de que mesmo pensadores como Kant e Hume foram produtos de seu tempo serve para nos lembrar de que as maiores mentes também podem ficar cegas diante de erros e males, se estes forem bastante onipresentes.

[Osório diz: desculpa esfarrapada, creio].

Isso também deve nos levar a questionar se os preconceitos que vêm à tona em suas observações mais infames não podem estar à espreita, em segundo plano, em outras partes de seu pensamento. Boa parte da crítica feminista feita à filosofia de “homens brancos mortos” é dessa natureza, argumentando que a misoginia evidente é só a ponta de um iceberg muito mais insidioso. Em alguns casos isso pode ser verdade, mas não devemos presumir que seja. Muitos pontos cegos são locais, deixando o campo geral de visão perfeitamente claro.

[Osório diz: nós somente trabalhamos com presunção, amigo!]

A defesa da misoginia de Aristóteles apresentada por Edith Hall, estudiosa dos clássicos da literatura grega e romana, constitui um exemplo rematado de como salvar um filósofo de seu próprio pior lado.

[Osório diz: mas isso não significa que ele tenha um lado pior! E o lado melhor pode estar no que acima chamei de “material”].

Em lugar de julgar Aristóteles pelos critérios de hoje, Hall argumenta que um teste melhor seria indagar se os fundamentos de seu modo de pensar o levariam a ser preconceituoso hoje. Dada a abertura de Aristóteles a evidências e à experiência, não há dúvida de que, se vivesse hoje, não seria necessário persuadi-lo de que as mulheres estão em pé de igualdade com os homens.

[Osório diz: o autor de “A psicanálise dos contos de fadas”, Bruno Bettelheim, que viveu hoje, era pedófilo, dizem!

Portanto, é complicado atualizar para desculpar].

Também Hume se rendia à experiência, de modo que, se vivesse hoje, é provável que não suspeitaria nada de negativo em relação aos povos de pele escura. Em suma, não precisamos olhar além dos fundamentos da filosofia deles para entender o que estava errado no modo como eles os aplicaram.

[Osório diz: ao contrário! É para isso que temos que olhar, com todos os olhos possíveis, justamente para que não nos enganemos tão facilmente.

Nem sempre a filosofia está alheia à política a que serve. Ao partido a que serve!

A filosofia vai além do “amor ao saber”!].

Uma razão pela qual podemos relutar em perdoar os pensadores do passado é o receio de que desculpar os mortos nos obrigará a desculpar os vivos. Se não pudermos criticar Hume, Kant ou Aristóteles por seus preconceitos, como podemos criticar as pessoas que estão sendo cobradas pelo movimento #MeToo por atos que cometeram em círculos sociais em que esses atos eram completamente normais? Afinal, Harvey Weinstein não seguiu tipicamente a cultura do “teste do sofá” de Hollywood?

[Osório diz: é por aí!]

Há, no entanto, uma diferença muito importante entre os vivos e os mortos. Os vivos podem entender como seus atos foram errados, podem reconhecer o fato e demonstrar remorso. Quando seus atos forem crimes, podem enfrentar a Justiça. Não podemos nos dar ao luxo de sermos tão compreensivos com os preconceitos do presente quanto somos com os do passado.

[Osório diz: os vivos aprendem com os mortos? Com suas obras? Estas não estão inseridas no ambiente social formador do ser humano?

Pediu desculpas, está isento de pena”? Bem Brasil isso!]

Para transformar a sociedade, é preciso levar as pessoas a enxergar que é possível superar os preconceitos com que foram criadas. Não somos responsáveis por criar os valores distorcidos que moldaram a nós e a nossa sociedade, mas podemos aprender a assumir a responsabilidade por como lidamos com eles de agora em diante.

[Osório diz: isso tudo sem deixar de reconhecer que os preconceituosos foram preconceituosos, até para que aprendamos para não repeti-los e possamos transmitir os erros deles às futuras gerações, tudo na tentativa de que eles morram de verdade, pois enquanto suas ideias circularem, seus atos imorais estão aí].

Os mortos não têm essa oportunidade; logo, é inútil desperdiçar nossa indignação castigando-os. Temos razão em lamentar as iniquidades do passado, mas culpar indivíduos por coisas que fizeram em tempos menos esclarecidos, aplicando os padrões de hoje, é duro demais."

[Osório diz: o fecho não podia ser pior, depois do que tentei dizer, e disse!].

Julian Baggini, escritor e filósofo britânico, é autor de “O que os Filósofos Pensam” (ed. Ideias e Letras, 2005) e “How the World Thinks: A Global History of Philosophy” (2018).

Texto originalmente publicado no site Aeon; tradução de Clara Allain.

[Osório diz: finalizando: creio que o que escrevi em (http://osoriobarbosa.com.br/.../831-os-sofistas-e-os...) serve para cá, portanto, remeto para lá, dizendo apenas:

NA ÉPOCA EM QUE ESSES ‘GÊNIOS’ FORAM PRECONCEITUOSOS, JÁ EXISTIAM HOMENS COMBATENDO OS PRECONCEITOS QUE ELES DEFENDIAM. Melhor: gastaram rios de tinta criticando os que combatiam a escravidão, por exemplo]

Obrigado Fabio pela oportunidade do exercício.

Inté,

Osório Barbosa

P.S.: lendo o livro “Rivalidades criativas”, de Michael White (ed. Record), encontrei os excertos abaixo que podem ajudar na compreensão do tema acima. Vejam:

Rivalidades produtivas.

MICHAEL WHITE

“… Ainda assim, foi um processo torturantemente lento. Quando Newton foi para a Universidade de Cambridge em 1661, o currículo pouco diferia do modelo helênico ensinado ali, desde a fundação da universidade, no início do século XIII. Mas as palavras de Galileu, Descartes e Boyle, e as reflexões dos alquimistas, estavam lá para salvá-lo. Mesmo nos tempos de estudante de Darwin, um século e meio depois de Newton, as grandes universidades eram retrógradas ao extremo, e todo estudante era obrigado a jurar seguir os Trinta e Nove Artigos da Igreja Anglicana. Darwin fez objeção, mas, como iremos ver, no fim de sua vida ele teria a palavra final sobre a importância da religião.

Ainda assim, recentemente tornou-se moda para alguns intelectuais tentar provar que a Igreja, na realidade, era mais esclarecida do que se pensava, e que ela não tentou sufocar a razão e a inovação. Uma importante parcela da pesquisa moderna nesse campo tenta demonstrar que, entre os séculos XVI e XIVIl, muitos sábios católicos foram incentivados pelo Vaticano a realizar observações astronômicas sérias.

Isso é verdade, a Igreja deu sua sanção a alguns astrônomos e permitiu a construção de observatórios, pagos pelos cofres do Vaticano. Giovanni Cassini (1625-1712) foi o mais famoso astrônomo a se beneficiar dessa proteção, e fez muitas observações do sol em observatórios financiados pela Igreja na década de 1650. O objetivo oficial dessas observações era produzir um calendário mais preciso, de modo que as autoridades eclesiásticas pudessem determinar a data certa da Páscoa em cada ano, que fora fixada pelo Concílio de Nicéa, em 325, na "primeira lua cheia depois do equinócio da primavera".

Mas essa história não acaba ai, porque, ao permitir essas atividades, a Igreja tinha claros motivos inconfessados. Ansiosa por encontrar qualquer evidência ue sustentasse suas convicções anti-Copérnico, a Igreja criou sua própria equipe de astrônomos para vasculhar os céus em busca de provas com as quais pudesse combater a ciência em seus próprios domínios. Esta era, naturalmente, uma ação autocomprovante, pois figuras poderosas no Vaticano suprimiam qualquer evidência que parecesse apoiar Copérnico e divulgavam qualquer coisa que pudesse ser usada para contradizê-lo. Assim, o mundo só saberia dos resultados se eles fossem favoráveis à Igreja.

Talvez essas descobertas tenham sido feitas e devidamente registradas, mas seus autores foram proibidos de publicar seus trabalhos, ou de dar qualquer notícia a respeito dessas descobertas em suas preleções. Em outras palavras eles foram neutralizados, tornaram-se eunucos intelectuais. Se nada mais houvesse, este fato bastaria para mostrar que a Igreja era um sistema fechado suas figuras principais tinham receio de doutrinas rivais. Era uma autoridade que agia como força puramente opressiva. Não se deve esquecer que a Igreja tolerava aqueles que contestavam o modelo geocêntrico, mas apenas enquanto eles (como o cauteloso editor de Copérnico) mantivessem suas especulações como tal - curiosidades matemáticas - e nunca como visões concorrentes do mundo.

QUANDO PENSAMOS nas figuras hercúleas que batalharam no longo caminho até a razão e em suas contribuições para nossa moderna visão do mundo, é muito natural imaginar o que os movia, o que os levava ao ato de descobrir. De fato, essas considerações nos levam a questionar o próprio significado da descoberta. Em vários aspectos os cientistas e os filósofos da natureza que os precederam têm muito em comum com artistas, músicos, escritores. Na verdade, muitos dos que se destacaram como artistas ou cientistas mostraram ter talentos geminados. Sir Edward Elgar foi educado como químico, Alexandre Borodin foi um notável professor de química, Albert Einstein era considerado um hábil violinista amador, e Leonardo, naturalmente, foi primeiro reconhecido como um artista consumado e somente depois como um cientista. Talvez essas pessoas tenham a chave para a compreensão do modo como a descoberta acontece, pois a inovação cientifica e a criação artística mostram notáveis similaridades, e parecem brotar de um impulso idêntico.

Muitas pessoas percebem o cientista como um indivíduo seco, uma caricatura, um homem com cabelo ralo vestido com um avental branco de laboratório. Isto, claro, é um estereótipo amado pela mídia, e é uma imagem tão falsa quanto a do artista com um barrete e uma bata besuntada de tinta. Não se deve levar a sério tais exageros. Além disso, a idéia de que a ciência é uma ocupação árida ou, pior ainda, puramente um esforço "útil" deve ser ignorada. Certamente os cientistas são homens do seu tempo, eles têm as mesmas preocupações de todos nós e trabalham dentro de um contexto cultural limitado, mas, num paralelo direto com o do artista, o trabalho do cientista transcende tempo e lugar. A ciência, de fato, é "útil", mas também são úteis as palavras, as tintas e as cordas do violino.

On 11 Setembro 2018

Mão peluda

O terror mora em cima!

 

 

Há muito tempo moro sozinho em meu apartamento!

 

Melhor, moro na companhia inseparável e “irreclamável” dos meus livros!

 

Pela manhã costumo abrir as janelas para trocar o ar, mesmo que o vento da capital paulistana traga junto consigo sua irmã gêmea, a inconveniente senhora poeira, de sobrenome “Asfáltica”!

 

São Paulo tem um clima instável, tantos que as pessoas mulheres sempre saem preparadas para o calor, frio e chuvas, coisas que nós, pessoas homens, somos relutantes em fazer, pois não gostamos de carregar trecos.

 

Para mim, por exemplo, guarda-chuva é coisa de velho! Detesto este invento, exceto na hora das chuvas, mas como em São Paulo, quando chove, os tais guarda-chuvas brotam dos bueiros a 10 dinheiros, não costumo me preocupar muito com eles.

 

Amigo leitor que não é de São Paulo, quando falei no parágrafo anterior sobre brotar de bueiros, saiba que isso é uma meia verdade, quase uma mentira, mas verdadeira!

 

Ocorre que alguns vendedores desse instrumento envelhecedor, ao ouvirem a previsão do tempo já se preparam para suas vendas e, antes da tempestade, costumam guardar suas mercadorias nos bueiros das redondezas.

 

Feito o esclarecimento, posso prosseguir?

 

- Obrigado!

 

Às vezes, estando pela rua, longe de casa, sou surpreendido pelas chuvas!

 

Como fechar as janelas?

 

Não tem jeito, terei que, na volta, arcar com o ônus do enxugamento-limpeza!

 

Dia desses cheguei em casa debaixo de uma chuva torrencial, quase amazônica, com bagos (que os afetados chamam de pingos) enormes, que pareciam granitos (não confundir com granizos, pois estes são pedras de gelo vindas das nuvens, mas os que caiam naquela noite pareciam o primo pobre do mármore!). Rajadas de vento e trovões de sonoridades gigantescas e incessantes!

 

Corri para fechar as janelas dos quartos onde o piso é de madeira. Deixei para o último lugar a janela da cozinha, pois lá o piso é de cerâmica e, portanto, pode molhar sem maiores danos!

 

O basculante da janela estava escancarado! Tive que me deitar um pouco sobre a pia da qual ele fica em frente para pegar no trinco e puxá-lo e, assim, fechar a janela de alumínio e vidro.

 

Quando pego no trinco sinto algo segurar no meu braço, abro os olhos, pois fazia o movimento de olhos fechado para escapar do vento, e vejo uma mão peluda e ensanguentada!

 

Creio que meus cabelos ficaram iguais aos pelos dos cachorros quando sentem ou pressentem algo ameaçador!

 

Não entrei em pânico, pois o medo é o inimigo nas horas de desespero!

 

Lembrei que ao lado da pia, pendurado, tem um cutelo com o qual costumo cortar os ossos das costelas bovinas, suínas e caprinas que às vezes sabreco no forno. Olhei para o instrumento divinamente amolado e o apanhei!

 

Puxei meu braço para dentro de casa e a mão resistiu me puxando para fora! Forcei um pouco e o braço da mão peluda chegou sobre o batente da janela! Não tive dúvidas: usei toda a minha força somada a do medo e apliquei um potente golpe sobre o braço!

 

Senti que a força sobre o meu punho cessou e via a mão, separada do seu braço, afrouxar e cair!

 

Puxei meu braço e ouvi um gemido gritar lancinantemente:

 

- Doutor Osório...

 

Então a voz desesperada me conhecia!

 

Corri para a porta que dá acesso ao pequeno quintal para o qual a janela se abre e vi um corpo estendido junto a um pequeno tanque de lavar roupas!

 

- quem é você, perguntei.

 

Ente gemidos estarrecedores ouvi:

 

- sou seu vizinho do terceiro andar. Me socorra!

 

Voltei para trás e apanhei uma lanterna!

 

Com ela encontrei a mão decepada, mas não fitei no rosto do moribundo, uma vez que já sabia de quem se tratava!

 

Coloquei a mão sobre a máquina de lavar roupas e perguntei:

 

- será que você consegue andar?

 

- uma das minhas pernas está quebrada, mas se o senhor me ajudar consigo me arrastar!

 

Me abaixei e ele colocou o braço são sobre o meu ombro!
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A duras penas e com a minha ajuda ele se arrastou até o elevador e o levei para a garagem no subsolo!

 

Em breve o porteiro chamou o zelador, que chamou o síndico e outros vizinhos acorreram e um deles chamou o SAMU!

 

O moribundo foi colocado em uma cadeira e gemia como qualquer outro animal ferido!

 

- o que houve, não ouvi nada?, disse o zelador.

 

Fazendo caretas de dor o homem, ferido também na alma, encontrou forças e respondeu:

 

- eu estava viajando e tive que antecipar meu retorno. Quis fazer uma surpresa para minha mulher e nada disse sobre minha volta! Cheguei em casa e, ao abrir a porta, a sacola de papel na qual eu trazia uns potes de vidro com doces para ela, por ter se molhado na chuva, rasgou o fundo e os vidros caíram! Tentei afastar para um canto os cacos com os pés e, enquanto fazia isso, senti o cano de uma arma em minha nuca.

 

- não se vire, disse a voz de um homem!

 

- Compreendi e fiquei quieto.

 

- Ele já conhecia o meu apartamento, tanto assim que mandou a Xantipa trazer suas roupas e ajudar a vestir-se! Ela o fez! Vestido, ele mandou que eu caminhasse para a janela que dá para o quintal! O fiz e ele mandou que eu me sentasse no batente da janela, para isso usando um tamborete para que eu subisse! Após eu estar sentado ele retirou o banco e disse:

 

- fique aí por pelo menos uns dez minutos, até eu sair do prédio, caso contrário estouro teus miolos!

 

- Calado estava e disse apenas sim!

 

- Minha mulher não teve a mesma generosidade! Apenas ouvi ela dizer:

 

- ah, não!

 

- E senti suas mãos empurrarem minhas costas e eu desabei rumo ao Hades! Isso ocorreu justamente na hora de uma rajada de raios e trovões, daí, ninguém ter ouvido minha queda!

 

Ele ia prosseguir o restante da história, mas como esse trecho eu já conhecia, pedi licença e me retirei me colocando à disposição, já que precisava tomar um banho imediatamente!

 

Subi e vi o rastro de sangue deixado em minha casa!

 

Antes que os trabalhos de limpeza começassem, tirei e coloquei minha camisa dudalina original na máquina de lavar, pois ela, tão alva, parecia ter participado de uma guerra de tomates, como aquelas das quais participo quando estou de férias na Espanha!

 

Poucos minutos alguém bateu à porta para buscar a mão!

Inté,

 

Fonte da imagem: https://noticias.bol.uol.com.br/fotos/entretenimento/2013/01/03/incrivel---as-imagens-mais-curiosas-de-2013.htm?fotoNav=136.

 

On 27 Agosto 2018

Destino

Como enganar o destino!

 

Manhã gelada em São Paulo!

Fui comprar três latinhas de tinta óleo para terminar de pintar uma canoinha que trouxe do Amazonas. Será, creio, a “La pirágua, a nave de Maraã”.

Não encontrando as cores que desejava, em latinhas minúsculas, como existiam antigamente, hoje não mais, depois soube, dirige-me do material de construção da Rua Augusta para o da Rua Fernando de Albuquerque.

Dependendo do humor de quem comanda o trânsito, a Rua Fernando de Albuquerque começa da Rua da Consolação e termina na sua paralelas Rua Augusta. É uma rua pequena.

Após encontrar e comprar as tintas, voltava para a Rua Augusta. No cruzamento, melhor, no “T” que este forma entre Augusta e Rua Fernando de Albuquerque, onde um moleque de bicicleta, há algum tempo, me furtou, quando eu ia fazer a primeira ligação, um celular Nokia N95 que acabara de tirar da caixa, aconteceu o seguinte:

- No “T”, ou cruzamento, inicio a travessia – como quem atravessa de barco o Rio Amazonas para entrar no Rio Japurá com destino a Maraã –, de olho, inicialmente, nos carros quem vinham da Fernando, pois eles podem dobrar à direita e/ou à esquerda (se forem em frente encontrarão a vitrina de um bar!), chego na metade da rua Augusta, nas faixas amarelas e paralelas. Eis que ouço sirenes de carros de polícia em perseguição a um outro automóvel, todos eles em alta velocidade vindo em minha direção, sentido Augusta-centro. Prevenido e quase borrado, corro para detrás de um dos raros postes de ferro que ainda existem na rua citada. Foi a minha melhor jogada até agora na vida!

O carro que era perseguido, ao tentar entrar na Rua Fernando de Albuquerque, que era contra-mão para ele e estava muito congestionada, perdeu o controle e foi colidir (bater, como dizem os afetados!) no poste de ferro que me protegia!

A batida foi tão violenta que o carona foi cuspido, saindo pelo para brisa estilhaçado, cujos alguns cacos de vidro ainda atingiram meu fino casaco Armani, sem maiores danos, pois o dano maior consegui evitar e que foi ter a agilidade de desviar-me do cuspido que vinha em minha direção como se fosse um homem voador!

Ao dele desviar-me com um leve e preciso recuo do corpo ainda ágil em horas que tais, acompanhei com as vistas a trajetória parabólica do homem que voava. Ele foi direto bater com a cabeça em uma quina de concreto do portão de uma estação de energia!

Pela velocidade do homem-pássaro e a espessura da quina, nem quis olhar o resultado, pois sangue me causa náusea!

Bati a poeira do meu lindo casado Armani e segui meu caminho!

Parei no Violeta e pedi uma água e todos pensavam que eu estava de ressaca, pois minhas mãos, não sei o motivo, tremiam como vara verde na correnteza!

Sorte não foi, foi destreza!

E o destino, naquele dia, ficou apenas lambendo os beiços, pois o filho de D. Rosa ainda continua sua saga sobre essa terra que, só de pensar em um dia perdê-lo, chora copiosamente, pois jamais terá outro filho igual!

Inté,

 

Fonte da foto: https://giovannasabrine.com.br/2018/04/destino/.

 

On 26 Agosto 2018

Pagão e Raimunda retratista 2

Retratos antigos e saudades.

 

Dia desses o amigo Alexandre Lima, lá de Maraã, me enviou a foto do quadro que esta publicação enfeita!

Há muito tempo venho me lembrando dessa arte. Dos “retratistas”!

Tenho um quadro desses, retratando papai, mamãe e eu entre os dois! O guardei tão bem que não consigo encontrá-lo! Mas, uma hora dessas, esbarrarei com ele.

Por ignorância, não dava valor a essas obras de arte!

Quando me aculturei, melhorei meu senso estético/de beleza, pelas leituras e pelas observações, pude prestar atenção na riqueza representada por estas pinturas, aparentemente singelas, simples.

Comecei a matutar e lembrei da única experiência que presenciei, lá pelos inícios da década dos anos 70, quando um "vendedor" desses maravilhosos trabalhos esteve no Bom Futuro, em Maraã, interior da selva amazônica.

Lembro que ele portava uma máquina fotográfica (hoje no ferro velho) e fotograva aquelas pessoas a serem retratadas com as roupas (ou sem elas) que elas estivessem vestidas, ou não, (com ou sem camisa, por exemplo, como era o caso do homem que acabava de chegar suado e sem camisa, apenas de calção, das matas após "cortar" seringa (retirar o látex da seringueira).

Ele fotografava, recebia um pequeno adiantamento do valor do futuro retrato e, meses   e até ano – depois aparecia com o retrato debaixo do braço, onde aquele homem ex-descamisado aparecia vestido em elegante paletó e aquela mulher de cabelos desgrenhados e vestido remendado aparecia aparecida vestida na mais pura seda, como uma princesa, com brincos de diamantes, colar de esmeraldas e batom nos lábios!

Era um verdadeiro milagre feito pelo homem-artista!

Eu me perguntava: como pode aquilo ter se transformado nisso?

A idade me respondeu: aquele cearense que aparecia para vender o trabalho e fotografar as pessoas voltada para sua terra e entregava os filmes para os "retratistas" (chamávamos também os fotógrafos de retratistas). Eles os revelavam e viam os rostos de seus clientes. E era somente disso que precisavam!

Punham a mão na obra e, não sei em quanto tempo depois, seus trabalhos estavam concluídos e o fotógrafo retornava ao Amazonas com os retratos agora emoldurados em belas molduras de madeira (que também são artes ímpares)!

Andava eu pesquisando onde encontrar um retratista! Perguntei a amigos cearenses sobre se conheciam algum, mas nenhum deles soube me informar.

Dia desses, ao ler um jornal, me deparei com um "fotoretrato" (como hoje se chamam, pela nova técnica, os retratos de então) dos “Tribalistas”, em cuja legenda constava o nome de "Mestre Júlio" como sendo o autor.

Ao consultar o google encontrei o mágico artista (vejam-no em: https://www.youtube.com/watch?v=DLA1CzUB3Fc)!

Não poderia ter ficado mais feliz!

Um dos meus sonhos é, comprar, na medida que as pessoas queiram vender, aqueles quadros que estão jogados e dos quais as pessoas querem se desfazer, pois tenho por eles uma admiração profunda.

Além do mais, espero que Mestre Júlio, ou outro artista de igual talento, faça um retrato meu com os meus filhos, no mesmo estilo daqueles que via nas paredes das casas humildes de Maraã e de todo o interior do Amazonas por onde andei.

 

Inté,

 

Fonte da foto: casal Waldemar Duarte Coelho (Pagão) e Raimunda Ramos Coelho, pela lente do Alexandre.

 

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