Curiosidades

A internet dando voz a quem não a tinha! ou Desespero dos "meios de comunicação" tradicionais!

 

A internet dando voz a quem não tinha!

 

ou

 

Desespero dos "meios de comunicação" tradicionais!

 

Há algum tempo venho observando um movimento onde até então pensávamos que se tratasse de algo engessado, fossilizado, sem possibilidade de qualquer alteração, haja vista que mexer não interessa àqueles que poderiam fazer qualquer mudança, pois mudança poderia implicar perda de poder.

 

Trata-se, ainda, de reclamações vindas de onde menos se esperava, justamente do mundo dos donos, e seus escribas, dos meios de comunicação tradicionais: rádios, tvs, jornais etc. Reclamações que apontam, certamente, para o incômodo que lhes vem causando a internet!

 

Incômodos dos mais variados, mas o que reputamos de principal é a perda da “exclusividade da verdade”!

 

A “verdade” deixou de ser exclusividade dos meios de comunicação, abrindo um leque a sua pertença a toda a humanidade!

 

A perda do poder de dizer e construir “a verdade” tirou dos meios de comunicação, ou vem tirando, a sua dominação plena sobre os ditos poderes constituídos e, mais fundamentalmente, sobre a “opinião pública”, quase sempre criada pela própria imprensa para depois se amparar nela e dizer que apenas a refletia, num círculo perverso, pois absolutamente mentiroso, mas que não podia ser desmentido.

 

Vamos a alguns exemplos que fundamentam o acima? Ei-los:

 

PRIMEIRO: Umberto Eco no seu livro cemitério de Praga, que parece ter sido escrito sob encomenda, quer provar que osProtocolos dos Sábios de Sião” são uma fraude.

 

Eu, particularmente, não sei se é ou não fraude, mas sua leitura vale a pena, pois muitas coisas previstas ou antecipadas, como, por exemplo, a supremacia do Direito Internacional sobre os Direitos dos Estados, está quase totalmente implantada!

 

Mas essa afirmação que ora faço, já é uma heresia, pois jamais encontraria espaço para dizer o acima nos meios de comunicação, mesmo que isso signifique uma mera crítica literária ao escrito de Eco, pois os ditos “Protocolos” são “sabidamente” uma fraude e, em casos que tais, apenas o que é dito pela imprensa tradicional é “a verdade” e ela já bateu o martelo dizendo que aquilo é uma fraude!

 

Umberto Eco está com um livro novo (Número Zero), que ainda não li, e nem se se o farei (talvez quando encontrá-lo em um sebo a preço abaixo do de mercado!), que trata, segundo os milhares de crônicas, das “teorias das conspirações”!

 

Teoria da conspiração, é o mote que o próprio conspirador inventou para desacreditar quem o flagra em sua ação! Já que com essa simples afirmativa foge de qualquer prova, demonstração (e que somente ele pode fazer), de que aquilo que se lhe imputa não é verdade! Como aqueles que compactuam com o conspirador também não têm interesse em mostrar nada a coisa fica como está. Recebe o selo: “Teoria da conspiração”! O qual somente é retirado décadas ou séculos depois, quando retirá-lo já não faz mais diferença. Exemplo? “Armas químicas no Iraque”!

 

Lendo aspáginas amarelasda revista Veja, 2432, que traz uma entrevista com Umberto Eco, encontrei:

 

Emalgunsdeseusromancesanteriores,comoOPêndulodeFoucault,asteoriasdaconspiraçãoestavamnocentrodatrama.EmNúmeroZero,noentanto,osenhorfazumusodiversodasconspirações.Porquê?

 

um personagem paranoico, Braggadocío, que constrói a sua própria inspiração com um elemento inventado: Mussolíni não teria sido executado. Fora isso, todos os fatos que relato em Número Zero pertencem à categoria das conspirações reais. A característica de uma conspiração verdadeira é que ela é invariavelmente descoberta. Houve uma conspiração para matar Júlio César, e todos sabemos. O perigo está nas conspirações falsas, pois você não consegue desmenti-Iasmas elas se prestam à manipulação: quem quiser tirar proveito delas poderá montar contraconspirações muito reais. Foi o que Hitler fez, propagando a falsa conspiração dos judeus, dos Protocolos dos Sábios de Sião.

 

AsconspiraçõesdeNúmeroZero,então,sãofatoshistóricos?

 

Todos perfeitamente descobertos. Ainda é difícil saber quem era culpado, mas ninguém nega hoje, por exemplo, o plano do Golpe Borghese (golpededireitadesbaratadonaItálianosanos70). O que me surpreende nos fatos todos que eu relato no livro não é que eles tenham realmente acontecido, mas sim o modo como o país inteiro aceitou tudo passivamente. Essas informações entraram por um ouvido e saíram pelo outro. Ficamos sabendo de todas essas coisas e ninguém se desesperou.

 

 

Foi um estrondo a sua declaração, em uma cerimônia na Universidade de Torino, de que a internet dá voz a uma multidão de imbecis. O que o senhor achou da dimensão que o assunto tomou?

As pessoas fizeram um grande estardalhaço por eu ter dito que multidões de imbecis têm agora como divulgar suas opiniões. Ora, veja bem, num mundo com mais de 7 bilhões de pessoas, você não concordaria que há muitos imbecis? Não estou falando ofensivamente quanto ao caráter das pessoas. O sujeito pode ser um excelente funcionário ou pai de família, mas ser um completo imbecil em diversos assuntos. Com a internet e as redes sociais, o imbecil passa a opinar a respeito de temas que não entende.

 

Conspirações falsas!?

 

Eu fiquei alegre em saber que existemconspirações verdadeiras”! Que, certamente, são aquelas arquitetas pelos nossos inimigos! Aqueles as quais queremos imputarmaléficos propósitos.

 

Asconspirações falsassão aquelas que os outros nos atribuem! Ou aos nossos amigos.

 

As duas respostas acima, ao meu sentir, são altamente parciais e contraditórias! Tudo num espaço de poucas linhas, sendo que a primeira estampa o roteiro de OcemitériodePraga! Do qual não deve se afastar muito o do Número Zero.

 

Creio que o escritor somente não tem na legião de imbecis aqueles que compactuam com seus pensamentos. Ou seja, diz ele: “pensou diferente de mim, é imbecil”!

 

Eu, mesmo que algum tema dominasse, gostaria de estar do lado dos imbecis, não fazendo eco para o Umberto.

 

A jornalista Lucia Guimarães, escreveu:

 

A farsa do Malandro Digital

 

Um executivo poderoso e discreto, um escort gay, uma chantagem e um popular website criado para publicar qualquer porcaria para atrair tráfego. A combinação se tornou explosiva na sexta-feira, quando o site Gawker retirou do ar uma postagem (não dá para dignificar chamando de reportagem) sobre o irmão do ex-secretário do Tesouro de Barack Obama. Curiosamente, o site conferiu anonimato ao escort chantagista embora. Como sói acontecer na era digital, sua identidade já esteja em ampla circulação. Os detalhes da intriga sexual pouco importam aqui, mas sim a censura tardia determinada por executivos - não editores - e o que o triste espetáculo mostra sobre a liberdade de expressão sem responsabilidades na era digital.

 

A liberação das biografias não autorizadas pelo Supremo Tribunal foi saudada como uma estória da liberdade de expressão no Brasil. É mais do que isto. Leva em consideração o fato de que a lei já protege as pessoas de difamação; o fato de que a indústria editorial não é suicida e que adultos encarregados de decisões, amparados em departamentos jurídicos, hão de filtrar a descrição não lisonjeira do puro apedrejamento sem vínculo com a realidade.

 

Se insistimos em pertencer ao time civilização, há que distinguir entre a livre expressão que incomoda e a selvageria para intimidar e faturar. Não há a menor justificativa jornalística, cívica ou criminal para expor a privacidade de pessoas que vivem de maneira incomoda para os redatores do Gawker. Um senador que tenta criminalizar o sexo gay, enquanto contrata escorts masculinos, pode ser exposto se explorar alguém. Já um cidadão privado deve poder trancar com um boneco inflável ou um adulto do mesmo sexo sem que a patrulha do Gawker exponha suas duas filias pequenas ao assédio cruel na escola.

 

Antes de seu patrão Nick Denton censurar o poss. o untuoso editor-chefe do site tuitou: "Se tiver a chance, o Gawer vai sempre reportar executivos casados de principais empresas de mídia traindo suas mulheres". Como uma jornalista que começou a estagiar sob a ditadura, não contenho meu escárnio. Estamos diante de stalinistas digitais, moralistas vitorianos que tentam disfarçar seu absoluto desprezo pelo direito à privacidade e um difuso ressentimento contra quem não reflete sua triste imagem no espelho com uma santarrona indignação pela invasão de privacidade praticada pelo Estado.

 

O leitor poderá ficar surpreso ao saber que alguns paladinos defensores de Edsvard Snowden em sua denúncia contra a inaceitável espionagem da NSA americana saem em defesa do Gawker. De fato, John Cook, contratado pelo bilionário Pierre Omidyar para o website The Intercept. fundado por Glenn Greensvald, voltou aos braços do Gawker e protestou veementemente contra a intervenção do lado corporativo da empresa na decisão de censurar o post original dizendo, o autor do post fez exatamente o que os editores do Gawker pedeiri.

 

Nenhum jornalista será a favor de diretores comerciais decidirem o que pode ser publicado. Mas notem a defesa perversa do direito de destruir a privacidade alheia em nome da liberdade de expressão.

 

Esta contorção que lembra um pretzel - aquele biscoito de rosca vendido em carrocinhas em Nova ova York -. pode ser exemplificada por Glenn Greensvald, o bravo ganhador do Pulitzer como parte do time que revelou ao inundo os documentos de Edsvard Snowden sobre a espionagem inconstitucional. Greensvald vice no Rio de Janeiro numa bolha de indiferença à violencia e inconstitucionalidade que o cercam. Posa para selfies com Luciana Genro, exija plataforma partidária provavelmente impediria seu patrão Oinidsar de financiar sua indiganação. Greeinvald condenou justificadainente o post "vil" e hornofóbico original para, em seguida, sair em defesa dos redatores da Gawker. Como se o macarthisino sexual que praticam contra várias outras figuras fosse jornalismo merecedor da proteção da Primeira Emenda da Constituição.”

 

Fonte: O Estado de S. Paulo. 20 de julho de 2015. Lúcia Guimarães. Caderno 2, p. C8.

 

 

Todo o artigo de Lúcia Guimarães é emblemático na defesa que ela faz dos “meios tradicionais” de comunicação, mas dele estaquei duas passagens:

 

O leitor poderá ficar surpreso ao saber que alguns paladinos defensores de Edsvard Snowden em sua denúncia contra a inaceitável espionagem da NSA americana saem em defesa do Gawker”.

 

e,

 

Nenhum jornalista será a favor de diretores comerciais decidirem o que pode ser publicado. Mas notem a defesa perversa do direito de destruir a privacidade alheia em nome da liberdade de expressão”.

 

Ao evocar Snowden a jornalista já diz, quero crer, de que lado está!

 

Nem mesmo os defensores de Snowden podem salvar o outro!

 

Mas como um traidor poderia salvar alguém?

 

O segundo trecho traz algo impossível: “jornalista brigando com diretor comercial por causa da verdade”!

 

Afinal, quem paga quem?

 

Isso lembra aquela história do jornalista novato que é mandado pelo diretor escrever uma reportagem sobre Jesus Cristo e ele pergunta, reconhecendo seu lugar: “O senhor quer contra ou a favor?”.

 

Mas o que a simpática Lúcia não diz é que, até então, “a defesa perversa do direito de destruir a privacidade alheia em nome da liberdade de expressão” tinha sido exclusiva dos meios de comunicação que ora ela defende!

 

Falaremos sobre o caso “Brizola versus Globo” mais abaixo.

 

Encontramos Álvaro Pereira Júnior dizendo:

 

Notícias populares

 

O fim dos sites de jornalismo: notícias consumidas aos estilhaços. Assim como alguns restaurantes que têm qualidade, mas vivem vazios por ficar fora de mão, os sites noticiosos vão se transformar em destino exclusivo para entusiastas.

 

Não que se pare de produzir notícias, longe disso. Só que elas, as notícias, deixariam de estar concentradas em determinados endereços na internet. Seriam produzidas a partir de estruturas centrais, mas distribuídas por redes sociais, aplicativos de compartilhamento etc. Para não ter de viajar até os longínquos "restaurantes", os usuários receberiam a notícia por "delivery".

 

Assim, o jornalismo on-line, como um todo, obedeceria à mesma lógica das agências de notícias atuais –fornecer conteúdo para fora de seu próprio ambiente.

 

Essas previsões, muito interessantes, são de um dos jornalistas mais influentes e bem-sucedidos da nova geração: o californiano (de pai brasileiro) Ezra Klein, 31, fundador do site noticioso "Vox". Bem, "noticioso" talvez não seja a melhor palavra, já que o "Vox" se dedica muito mais a análises e contextualização do que propriamente a notícias.

 

"Vox" não faz meu gênero. Acho o estilo muito esquemático, preto no branco, "good guys vs bad guys" etc. Mas o site é um sucesso estrondoso e, pelo menos, não vive de caçar cliques com listinhas fofas. Trabalha com jornalismo "tout court" (aliás, nada contra as listas, só acho que não são jornalismo).

 

Mas voltando às antevisões de Klein: elas estão em um texto publicado semana passada no próprio "Vox", intitulado "Será que a mídia está se tornando uma grande agência de notícias?" (http://is.gd/lrizRb).

 

Nas próprias palavras dele: "Meu palpite é que, em três anos, será normal para as empresas de notícias, mesmo as de escala mais modesta, publicarem em alguma combinação que inclua seu próprio site, um aplicativo móvel próprio, os 'instant articles' do Facebook, Apple News, Snapchat, RSS, Facebook Video, Twitter Video, YouTube, Flipboard e pelo menos mais uns dois 'players' importantes que ainda vão surgir."

 

Desculpe se o parágrafo anterior ficou muito técnico, mas, se você aguentou até aqui, o que Klein quer dizer é que cada vez menos gente digita o endereço de um site de notícias. Acompanha as atualidades, isso sim, por seus feeds de redes sociais e outros aplicativos. E não na forma de link, em que você clica e vai parar no site original.

 

As notícias estão abandonando seu habitat. Começam a migrar para dentro dos aplicativos.

 

Ezra Klein vê essa tendência com grande otimismo, e dá um exemplo do próprio "Vox": um vídeo explicando a crise grega teve, dentro do site, pouca audiência. Mas, ao ser publicado no Facebook, atingiu 4 milhões de visualizações, resultado excepcional para um tema tão árido.

 

Ele interpreta assim: quem vai ao Vox.com já é fissurado em notícias. Entende a crise grega e talvez não precise de um videozinho explicativo. Já quem trombou com o ele no Facebook pouco sabia de Grécia, mas acabou aprendendo com o vídeo cuja origem era o Vox.com.

 

Em tese, ótimo. Quem não quer que seus produtos cheguem a mais e mais pessoas? Ainda mais agora, quando o acesso à web passa cada vez mais para os celulares, com suas telas muito menores que as de um PC, e que realmente não exibem direito os sites de formato tradicional?

 

Mas, aqui, faço uma ressalva, ausente no texto de Klein: se as notícias vão ter de passar por essa "etapa extra" de distribuição, isso significa ainda mais poder aos vorazes monopolistas da web: Facebook, Google, Apple, Amazon, Twitter (este em menor escala).

 

O suposto "ethos" de liberdade total da internet se desvela em um modelo cada vez mais concentrador. Mesmo a decantada "economia dos aplicativos" é uma farsa –só um número infinitesimal desses 'apps' realmente faz sucesso.

 

E os poucos que se destacam são rapidamente comprados por algum gigante. Para ficar em exemplos famosos no Brasil: o Waze é do Google; o Instagram e o WhatsApp são do Facebook.

 

Dura conclusão: para chegar às massas on-line, só passando pelos gigantes do Vale do Silício. O horizonte parece radioso, mas as regras não estão com os produtores de conteúdo. Apesar de todo o otimismo de um jovem brilhante como Ezra Klein, acho esse panorama aterrador.

 

Fonte: Folha de São Paulo, 01.08.15.

 

Ou seja, Álvaro reclama do “poder monopolista” dos sítios que cita (Facebook, Google, Apple, Amazon, Twitter)!

 

Mas não foi sempre assim? E nunca vi ninguém reclamando do monopólio no Brasil da Folha de São Paulo, O Estado de São e o Globo! E, no mundo, do NYT do FT e outros poucos. Por que? Eles também eram e são monopolistas e têm suas “etapas extras”!

 

Não, Álvaro, como diz José Régio em seu “Cântico Negro”, “não vou por aí”!

 

Quem publica e publicava nos meios de comunicação tradicional?

 

Quem conseguia um mísero Direito de resposta nos meios tradicionais de comunicação, mesmo que desonrado no seu mais alto grau?

 

Certamente que o sábio jornalista sabe das respostas. E você também, caro leitor!

 

Mas quem parece ter se lançado de corpo e alma na defesa de seus patrões é o jornalista Sérgio D'Ávila, Editor do Jornal Folha de São Paulo. Vejamos algumas de suas pixotadas:

 

Jornalismo e um punhado de dólares Dinheiro oferecido pelo WikiLeaks para obter informação renova o debate entre a ética da profissão e o interesse público [Osório diz: engraçado, eu sempre achei que tudo funcionasse assim e sempre! Só agora existem pessoas desonestas no mundo! Antigamente as pessoas vendiam, ou melhor, doavam suas informações gratuitamente! Povo bom! Nem parece humano! Daí ter sumido da face da terra!]

 

Quanto vale uma informação? No dia 2 de junho último, o WikiLeaks anunciou que pagaria 100 mil dólares (em torno de 310 mil reais) a quem desse acesso à íntegra dos termos da Parceria Comercial Transpacífico (TPP).

 

Hoje sob sigilo, a negociação entre Estados Unidos e países da região do oceano Pacífico é considerada o maior e mais abrangente acordo comercial da história. Envolve economias que representam cerca de 40% do PIB mundial. Em 2013, os americanos venderam o equivalente a 698 bilhões de dólares a essas nações.

 

Saber o que cada país exige e oferece, e quais concessões foram feitas por Washington, é material de alto interesse jornalístico. Repórteres das principais empresas de mídia do planeta tentam romper o cerco imposto pelos negociadores até que o acordo seja aprovado pelos respectivos Legislativos.

 

O WikiLeaks quer cortar caminho. Em vez de seguir o método profissional na apuração de notícias – jornalistas convencem fontes a tornar públicas informações, ou por elas são procurados com o mesmo objetivo –, a organização criada em 2006 pelo ativista Julian Assange sacou o talão de cheques. [Osório diz: os outros são, realmente, muito desonestos. Nós sempre seguimos o método! Não sei as razões pelas quais muita gente reclama dos meios de comunicação do Brasil de vazarem informações que, segundo elas, são sigilosas! Certamente elas não conhecem o “método profissional”!]

 

Ou pelo menos instou seus simpatizantes a fazerem isso, já que o total declarado será obtido viacrowdsourcing – financiamento coletivo, doações de interessados no vazamento das informações. No momento em que escrevo, 1 437 pessoas haviam se comprometido a doar 75 118,42 dólares, ou seja, 75% do total. O site já tinha tido acesso a três dos 29 capítulos do TPP, os que tratam de saúde pública, investimentos e meio ambiente. [Osório diz: o mero fato de o valor ser pago pelos simpatizantes já não indica interesse público evidenciado pelos números? A imprensa não vive dizendo que “a matemática não mente”?]

 

A iniciativa é vendida como um prêmio, que tem nome e símbolo: Prize for Understanding Good Government (Prêmio para Entendimento do Bom Governo), ou Pugg, sigla que também é variante do nome de uma raça de cachorro, o pug, o cão chinês de cara achatada que empresta suas fuças à arrecadação.

 

A ação agitou o mundo do jornalismo profissional por mexer num dos cânones mais antigos da profissão, respeitado pelos principais veículos do mundo, ao menos os mais sérios: não se dá dinheiro em troca de informação. Pagar por ela pode corromper a fonte, que troca um bem supostamente público, que é subjetivo, pelo ganho privado bastante objetivo – a soma que colocará no bolso. [Osório diz: eis um dos problemas que aflige a humanidade: a diferença entre o ser e o dever ser! Milênios são passados, rios de tinta são gastos e ninguém ainda pôs fim à contenda! Os cânones dos médicos e dos advogados são maravilhosos, tal qual os dos jornalistas, mas a realidade teima em revogá-los! Quem sabe, agora vai! Certamente que os que “furam” os cânones não são os principais. Os principais assistem a tudo impassivamente!]

 

Ainda que muitas fontes tenham interesses escusos na divulgação da informação que detêm, o jornalista e o meio em que sua apuração será divulgada não devem estar mesclados a esses interesses. Além disso, a recompensa financeira pode induzir o detentor da informação a “melhorar” os fatos, visando aumentar seu valor. [Osório diz: como se os meios não tivessem inúmeras outras empresas, além das de comunicação, como telefonia, por exemplo, com “muitos” interesses seus em outros tentáculos em jogo!]

 

No caso Watergate – o padrão-ouro da apuração jornalística com coerência, cuidado e consequência –, não houve comércio entre Bob Woodward, o repórter do Washington Post que juntamente com Carl Bernstein levantou denúncias que poderiam envolver a Casa Branca de Richard Nixon, e sua fonte principal, apelidada de “Garganta Profunda”. [Osório diz: em compensação, segundo o livro Pablo Escobar: meu pai - as histórias que não deveríamos saber, de Juan Pablo Escobar, Planeta, o capo colombiano comprou um império jornalístico, com repórteres incluídos!]

 

Mark Felt, um ex-dirigente do FBI que em 1972 havia sido preterido numa promoção e resolveu falar com Woodward, poderia estar agindo por vingança, despeito ou patriotismo. Mas não para ganhos pessoais, muito menos por ser venal. [Osório diz: a diferença é a mesma entre o Sócrates que não cobrava por suas palestras e o Sócrates que frequentava os mais ricos banquetes de Atenas!]

 

Da mesma forma, não houve troca de dinheiro entre a jornalista Renata Lo Prete e Roberto Jefferson, na famosa entrevista à Folha de S. Paulo, em 2005, que daria o pontapé inicial da revelação do escândalo do mensalão. [Osório diz: essa foi a melhor! Só Lupicínio Rodrigues explica com: “Mas, enquanto houver força em meu peito /Eu não quero mais nada / Só vingança, vingança, vingança”!]

 

Em artigo publicado no New York Times em 9 de junho último, Kelly McBride, especialista em ética jornalística e vice-presidente do Instituto Poynter, um dos mais renomados centros de estudo de mídia dos Estados Unidos, defende a revisão das convenções. “Empresas modernas de mídia devem desenvolver novos códigos de ética, que levem em conta o que há de melhor no potencial da internet para o jornalismo cidadão e o compartilhamento de informações”, escreveu. “Elas não deveriam descartar o pagamento a fontes, que só deveria acontecer raramente e de maneira transparente. O importante não é apenas o interesse público, mas o que serve à democracia.” [Osório diz: quem poderia ser contra isso? Mas entre a teoria e a prática existe o Atlântico e o Pacífico! Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço, infelizmente, é muito comum no homem.]

 

A opinião de McBride encontrou eco no meio acadêmico. “Sim, o jornalismo é uma profissão transacional”, me disse o estudioso de mídia Ken Doctor, de Harvard, definindo a questão como “fascinante e cheia de arestas”. “Sempre que os jornalistas obtêm informações de fontes, estas agem por algum motivo. Às vezes, é o interesse público. Em muitas outras, é puro ego ou o interesse próprio.” [Osório diz: menos com Roberto Jefferson!]

 

Como distinguir um do outro? “Estamos acostumados a avaliar os motivos de uma fonte, assim como a informação em si, e é assim que deve ser. Um detector de besteiras é o eterno melhor amigo do jornalista.” Na opinião de Doctor, “a proibição pura e simples não faz sentido. Se o interesse público é mais bem servido pagando por informações – raramente e de maneira transparente para os leitores –, podemos compreender e conviver com isso”. [Osório diz: uma vez um conhecido meu me disse que tinha pago por sua ‘Carteira Nacional de Habilitação’. Ao ver que eu estava espantado, ele completou: ‘por acaso não paguei várias taxas e auto escola?’. Vale perguntar: ‘jornalistas, tinta, papel etc., são gratuitos?’. Complicado, não é?]

 

É semelhante a posição de Rosental Calmon Alves, diretor do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas. “Continuo sendo contra o jornalismo de talão de cheques”, me disse. “Mas temos de reconhecer que o ambiente está mudando.” O importante, para ele, é ser transparente. “Dizem que a nova objetividade é a transparência. A nova ética não é a transparência, mas a transparência é parte essencial da nova ética.” [Osório diz: é a dinâmica da vida ou seria do capitalismo? Se eu tenho um bem, que vale muito, por que não vendê-lo, pensará aquele que tem inúmeros compromissos para pagar e vários desejos a satisfazer].

 

Os três têm razão. Mas tais regras se aplicam ao WikiLeaks? Parece-me que não, por um pecado de origem. O objetivo da organização (que não é jornalística) não é ser transparente ou mesmo dar transparência ao tal acordo comercial, e sim impedir que ele aconteça. O site assim define o TPP: “O tratado visa à criação de um novo regime jurídico internacional que permitirá às corporações transnacionais contornar os tribunais nacionais, evitar proteções ambientais, patrulhar a internet em nome da indústria do conteúdo, limitar a disponibilidade de medicamentos genéricos a preços acessíveis e reduzir drasticamente a soberania legislativa de cada país.” [Osório diz: tem uma biografia que está fazendo sucesso. É de autoria de Jorge Caldeira: Júlio de Mesquita e seu tempo, chama-se. Um dos subtítulos dela é: “Entre o jornalismo e a política”! Mas isso parece não incomodar ninguém do meio jornalístico, pois eles entendem que é possível cindir o homem e deixá-lovivo! Quem aceita um jornalista na política, por que censura a atitude do Wikileaks no caso?]

 

O WikiLeaks tem uma agenda e milita por ela – desde junho último, acenando com um punhado de dólares para os interessados em lutar pela mesma causa.[Osório diz: com os Jornais brasileiro é diferente? Vejam-se as manchetes de todos os dias. Um exemplo: “Dilma...”!]

 

(Fonte: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-106/chegada/jornalismo-e-umpunhado-de-dolares.)

 

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Os imbecis estão ganhando?

 

[Osório diz: quanto elogio num título! Eco fez Eco! E a ofensa aos milhares de leitores do jornal em que o cidadão trabalha? Ou só por serem leitores da Folha não são imbecis?]

 

SÃO PAULO - Em seu livro mais recente, "Número Zero" (Record, 2015), Umberto Eco trata do editor de uma publicação que nunca vê a luz do dia – apenas monta dossiês apócrifos, como os que a cada dois anos reaparecem nas eleições brasileiras, e com eles faz chantagem em busca de dinheiro.

 

Aos 83 anos, o autor de "O Nome da Rosa" está preocupado com o predomínio do que chama de "máquina de lama" no jornalismo profissional. Acredita que a função da imprensa séria será cada vez mais ajudar seus leitores a discernir o trigo do joio, que se encontra amplificado e tratado como verdade na internet. [Osório diz: essa máquina de lama somente pode ser uma heresia! É impossível isso no jornalismo profissional, como demonstrou o editor D’Ávila no artigo mais acima. Separar o joio do trigo foi tudo que a imprensa “sempre” fez, e o resultado todos conhecemos! É exatamente esse que está aí!]

 

O escritor italiano não tem boas palavras para as redes sociais. Há um mês, ao receber o título de doutor honoris causa na Universidade de Turim, disse que "a mídia social dá voz a uma legião de imbecis, que antes falava apenas no bar depois de beber uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade". [Osório diz: Somente falavam os sábios!]

 

"Hoje eles têm o mesmo direito de palavra de um Prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis", afirmou, no discurso de agradecimento. "O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade." [Osório diz: Como se alguém fosse dono da verdade, coisa que nem ele nem ninguém sabe o que é! Por falar em Prêmio Nobel, salvo engano, Gabriel Garcia Marquez chegou a ser rejeitado por meios de comunicações tradicionais. Não foi isso?]

 

As palavras soam duras e reducionistas. O saldo da popularização da internet e da facilidade de divulgação de opiniões que dela advém é mais positivo que negativo. Hoje, qualquer pessoa com uma conexão ou um celular diz em poucos segundos o que pensa sobre qualquer tema e, em países como a Itália ou o Brasil, sem censura. [Osório diz: O editor não viu essa frase destacada? Mas o editor é o mesmo escrito! Então houve autotraição!]

 

O problema é que, assim como nos bares, no Facebook, no Twitter e no Instagram os imbecis fazem mais barulho que os sensatos. [Osório diz: recaída do autor/editor! Sim! É isso aí! O imbecil do leitor não sabe separar o joio do trigo!]

 

E – como mostram episódios recentes de intolerância e racismo envolvendo os jornalistas Zeca Camargo e Maju Coutinho, a deputada federal Mara Gabrilli, o apresentador Jô Soares e a presidente Dilma Rousseff, em sua passagem há duas semanas pela Universidade Stanford – parecem ter mais admiradores.[Osório diz: Dilma Rousseff não é uma presidente que a imprensa quer porque quer derrubar inflando a opinião pública?]

 

(Fonte: FSP, 12.07.15).

 

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Ainda sobre os imbecis

 

SÃO PAULO - No Natal de 2013, a assessora de imprensa Justine Sacco, então com 30 anos, digitou 47 letras em seu celular, apertou "tuitar", desligou o aparelho e embarcou em uma viagem de avião de Nova York para a África do Sul. Os destinatários eram seus 175 seguidores na rede social.

 

A frase: "Going to Africa. Hope I don't get AIDS. Just kidding. I'm white!"("Indo para a África. Espero que não pegue Aids. Brincadeirinha. Eu sou branca!").

 

Onze horas depois, ao aterrissar, soube que seu post tinha se tornado viral e sido compartilhado por dezenas de milhares de pessoas. Fotógrafos já a esperavam no aeroporto. Desde então, perdeu o emprego e amigos, ganhou uma depressão e enquanto houver Google terá seu nome ligado a uma brincadeira racista.

 

A história está no livro "So You've Been Publicly Shamed" ("Então Você Foi Humilhado Publicamente"), lançado em março, em que o autor, Jon Ronson, conta este e outros casos de pessoas que tomaram decisões erradas e as viram ser amplificadas e sair de controle pela velocidade e o alcance da internet. [Osório diz: Pessoa não! Ela é jornalista, classe que não era, que não é imbecil!]

 

Ronson, mais conhecido pelos livros "O Teste do Psicopata" e "Os Homens que Encaravam Cabras" (que virou um filme divertido com George Clooney), argumenta que os deslizes cometidos pelos tais publicamente humilhados do título ganham uma reação desproporcional graças ao tribunal implacável e o comportamento de manada das redes sociais.

 

É verdade. [Osório diz: Será mesmo?]

 

Mas quem erra em geral é gente que, colada 24 horas por dia em seus celulares, já não sabe mais discernir o privado do público, confunde o real e o virtual. Faz parte do grupo sobre o qual falou o escritor italiano Umberto Eco no discurso em que critica a internet, tema desta coluna no domingo passado. [Osório diz: Mas A jornalista nem estava colada em seu celular 24 horas. Ela estava num voo entre Nova Yorke África do Sul que, certamente, dura mais de 10 horas, quero crer].

 

Eco os chamou de "legião de imbecis".

 

[Osório diz: Mas, perguntaria ao autor, se um dia chegasse aos píncaros da glória de falar com ele: “Senhor, na imprensa tradicional não ocorria o mesmo? Vamos ficar num único exemplo: “caso da Escola de Base, em São Paulo, que a imprensa acusou os donos da escola de molestarem sexualmente crianças e depois ficou provado que era mentira. Onde estavam os imbecis?”]

 

(Fonte: FSP, 19.07.15).

 

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A gente somos "smupids"

 

SÃO PAULO - No balanço do parquinho de um clube paulistano, olhos colados no celular, a mãe embala a filha sem olhar para ela, soltando frases genéricas como "Legal. Divertido, né?". No apagar das luzes e aos primeiros movimentos do balé "Giselle", do Bolshoi, recentemente em São Paulo, o vovô acha tempo para dar o último "like" numa foto.

 

Segundo estudo recente da consultoria americana A.T. Kearney, o Brasil é o país com maior porcentagem de pessoas na faixa mais alta de permanência on-line: 51%, ante 37% do segundo colocado, a Nigéria, e 25% dos americanos. Somos um povo conectado/ disponível/ on-line.

 

Isso tem implicações. Uma delas o canadense Michael Harris chama de "o fim da ausência", no poético título de livro recém-lançado nos EUA ("The End of Absence", Penguin). Estamos o tempo todo não só acessíveis virtualmente como compartilhando tudo o que vivemos. Isso faz com que tenhamos pouco tempo para digerir nossas experiências – para viver.

 

Na expressão do escritor Douglas Coupland, autor do termo "geração X" e citado no livro, somos "smupids", um neologismo em inglês que junta as palavras "smart" (inteligente) e "stupid" (estúpido). Sabemos cada vez menos de cada vez mais coisas. Mas não sabemos verdadeiramente de nada sem o auxílio da tecnologia. Não absorvemos o conhecimento.

 

É como na cena do excelente filme "Enquanto Somos Jovens", de Noah Baumbach, atualmente em cartaz em São Paulo, em que os personagens se impõem o desafio de não procurar no Google o nome de um ator, mas de se lembrar naturalmente dele. Leva dias.

 

Harris se propõe algo parecido: passar um mês desconectado. Além de ler "Guerra e Paz", de Tolstói, versão impressa, ele não chega a nenhuma revelação. Mas conclui que sua geração, aquela com mais de 30 anos, a última a ter feito a transição do analógico para o digital, tem uma obrigação: manter uma visão minimamente crítica do novo mundo.

 

Não ser "smupid".

 

[Osório diz: agora o autor me emocionou! Sinceramente. Concordo com ele em grau, número e gênero! Penso que a tecnologia, que já cheguei a amaldiçoar, pois escraviza o homem ao invés de libertá-lo (o capitalismo cada vez, via tecnologia, está concentrado nas mãos de poucos, mas fazendo propaganda de que atende a todos!). Agora, faltou o autor dizer que os meios tradicionais de imprensa, além dos milhões de comerciais vendendo tecnologia para “formar imbecis”, que depois ela irá “condenar”, vive ensinando que o homem sem um aparelho de celular de última geração não é um homem, mas um saco de batatas! Como sair dessa doutrinação massificante?]

 

(Fonte: FSP, 26.07.15).

 

e,

 

Por um punhado de 'likes'

 

SÃO PAULO - Você trabalharia de graça quase uma hora por dia, todos os dias do ano, para uma empresa que ganha R$ 60 bilhões anuais com a sua produção e os seus dados? Parabéns: você, eu e 1 bilhão de pessoas fazemos isso para as redes sociais. [Osório diz: Que bom! Pelo menos as redes sociais aceitam divulgar meus pontos de vistas e, pelo menos uma pessoa, lerá meu pensamento sobre algo! Há algum tempo eu poderia ter o melhor pensamento do mundo (a fórmula do remédio para curar a calvície), mas os meios de comunicação tradicionais, dificilmente, se interessariam por. Eles somente se preocupam com a opinião de gente importante! Exemplo? Veja o ministro da fazenda do governo Sarney, quando a inflação chegou a 85% ao mês! Hoje ele escreve em vários tradicionais meios de comunicação como sendo alguém de uma “mente brilhante”, e só pode ser mesmo, pois tem conseguido aquilo lá...]

 

Em balanço publicado na quarta (29), o Facebook anunciou receita de US$ 4 bilhões (R$ 13,7 bilhões) no segundo trimestre de 2015. Junto de Instagram e Messenger, da mesma empresa, contabilizou 966 milhões de usuários diários, que por ali ficaram, em média, 46 minutos. [Osório diz: com uma diferença fundamental: o Facebook pode dizer para os seus “escravos”, “eu publico teu pensamento. Ficas comigo ou com aqueles que nem te pagam nada nem publicam o que pensas?]

 

A comentarista de cultura digital do jornal "The Washington Post" compara as firmas que dominam esse meio aos empresários inescrupulosos dos EUA do século 19 e a escravos o exército que as alimenta de conteúdo. [Osório diz: não é tão ruim ser escravo por prazer, parece. Pior, parece, é querer ser escravo e o escravizador simplesmente dizer: “já tenho outros escravos”]

 

"Uma distopia gloriosa em que todo o mundo trabalha por 'likes' — ou seja, de graça — enquanto um punhado de magnatas de tecnologia lucra", escreveu Caitlin Dewey. [Osório diz: como se os magnatas das mídias tradicionais nunca tivessem existido! Alguém conhece aí o Dr. Roberto Marinho? E o Berlusconi? E o australiano?]

 

Na definição do especialista em novas mídias Trebor Scholz,"o trabalho digital é como uma festa com pizza e refrigerante de graça, mas vigiada pela Stasi" — uma menção ao terrível serviço secreto da Alemanha Oriental. [Osório diz: na mídia tradicional só tinha a Stasi, faltava a pizza e o “refri”!]

 

Essa relação de tudo por nada, ou por muito pouco, é criticada no livro "Terms of Service - Social Media and the Price of Constant Connection" (Termos de Serviço - Redes Sociais e O Preço de Estar Conectado Constantemente), de Jacob Silverman. [Osório diz: aliás, é muito barato, se comparado ao que era cobrado antigamente pelos meios tradicionais!]

 

Lançado neste ano nos EUA, defende a tese de que nossa interação com o que o autor chama de gigantes da internet deveria ser de "confronto, cheia de crítica e ceticismo". [Osório diz: somente os gigantes da internet não prestam? Quem conhece sabe que não é bem assim, os gigantes da mídia tradicional parece que eram bem pior].

 

Afinal, continua, "o Estado de vigilância operado pelas plataformas de redes sociais (...) para minar nossos dados pessoais para ganhos com publicidade é tão abrangente como a espionagem governamental". [Osório diz: É isso mesmo! Mas dizem que os meios tradicionais não ficam nada a dever no conjunto. Aliás, ficam sim! Seus bancos são diminutos e não perguntaram se poderiam vender os dados dos clientes. Já quem está na internet sabe que está na chuva, logo, pode se queimar. Conheço um, que assino, que diz que eu não receberia spam, mas é só o que recebo nele e por ele, além da conta, é claro.].

 

*

Com isso, encerro o quadríptico sobre a internet e os imbecis. A boa notícia é que Hélio Schwartsman volta à ativa nesta semana.”

 

(Fonte: FSP, 02.08.15).

 

Mas gostaria de não ser visto como “advogado da imbecilidade”, embora, para muitos, esta seja a única possibilidade. Paciência.

 

Se alguém de boa fé me perguntasse: “Então, o que você quer com o que acaba de dizer?”.

 

Eu pontuaria:

 

PRIMEIRO: a internet não é um mar de rosa (há muita agressão gratuita), nem de sabedoria (há muita besteira). Para as agressões, ignore-as. Mesmo nas besteiras, inúmeras vezes, você garimpa preciosidades (do lodo nasce flor) que não estão nos sítios ditos “sábios e sérios”. Aliás, não estão no mundo virtual, além daquele local que vai te dar, muitas vezes, roteiro de pesquisas. Ter algo, é melhor que não ter nada.

 

SEGUNDO: a internet não discrimina teu pensamento, mesmo que ele seja bom apenas para você. E se é bom apenas para você, não será repercutido e morre por si mesmo.

 

TERCEIRO: na internet você consegue divulgar coisas/pensamentos que não divulgaria jamais nos meios tradicionais, exceto se tivesse muita grana ou conhecimento pessoal. Se o seu “mundo de relações” não é assim tão amplo, terá enorme possibilidade de não conseguir nada.

 

O mais creio já ter dito acima: a internet não é pior que os tradicionais meios de comunicação (há nela os bons e maus escritores/jornalistas, os magnatas, as concentrações etc.), mas tem algo muito melhor que aqueles: te dá voz e tua voz pode fazer sentido para alguém além de você mesmo, inclusive para aquele que vai te criticar.

 

Mas nem todos “medalhões” praguejam a internet. Machiel White, que tem várias boas e excelentes biografias, dentre estas últimas está a de Maquiavel, diz nos seus agradecimentos na biografia de J. R. R. Tolkien - O senhor da fantasia:

 

Muitas pessoas ajudaram para que esse livro acontecesse. Eu gostaria de agradecer especialmente ao meu agente Russ Galen, por conduzir diversas negociações complicadas, e aos meus editores de ambos os lados do Atlântico: Alan Samson e Tim Whiting na Little, Brown, em Londres; e Gary Goldstein na Alpha, em Nova York. A assistência inestimável de Jude Fisher e de Peter Schneider, que ofereceram informações sobre a importância da literatura, e de Josephina Miruvin, que sempre foi entusiasmada e me deu alguns bons contratos na internet. Meus agradecimentos vão também para Michael Crichton, pois sem a sua ajuda um autor completamente diferente teria escrito este livro.

Finalmente, a profunda gratidão à minha esposa Lisa, por oferecer insights objetivos e importantes sobre Tolkien que eu não teria imaginado de outra maneira.

Michael White, setembro de 2002”.

Fonte: J. R. R. Tolkien - O senhor da fantasia, Michael White, tradução Bruno Dorigatti, Rio de Janeiro, Darkside.

Ou seja, nem tudo são pedras contra a internet e nem todos que estão nela são imbecis!

 

Aliás, cabe a pergunta: ter imbecis dentre os nossos é privilégio de alguém?

 

Mas, voltando ao mundo virtual, penso que a internet, no caso, é condenada por dar voz a quem não tem, para quem não foi ungido pela propaganda ou caiu nas graças de mecenas da mídia! Acredito que Eco é um destes.

 

Os pseudos-censurados, jornalista que sempre reclamaram da censura que dizem que lhes era imposta, estão virando censores! Seu lema: “Abaixo a internet”!?

 

Umberto Eco e a simpática Lúcia Guimarães falando mal do lógos1 produzido pela internet!

 

Ambos os dois sempre pregaram a liberdade de expressão, para eles e seus patrões, já que eles jamais permitem o direito de resposta, mandando aqueles que o pleiteiam a “constituir seu próprio império jornalístico” para que, por intermédio dele, venha a exercer o direito de defesa, já que a justiça leva milênios para julgar casos que tais, quando julga, sendo o caso “Brizola versus Globo” (https://www.youtube.com/watch?v=ObW0kYAXh-8) uma exceção excepcionalíssima!

 

Agora, que todos temos a internet para, pelo menos, mostrarmos indignação e pontos de vistas opostos, a internet começa a ser um mal, pois começa a incomodar os grandalhões nas suas “certezas absolutas”!

 

Eu, particularmente, tenho perfil no facebook, e quase não uso tal ferramenta. E não uso, especialmente, por saber que nas ditas redes sociais falta muito de educação doméstica, logo, de respeito aos demais e de elegância!

 

Entretanto, essa mesma internet, me proporciona conhecimentos que, sem ela, eu levaria milênios para adquirir, se é que um dia o adquiriria e gastaria milhões para comprar livros, revistas etc. que viessem me proporcionar tal conhecimento.

 

Portanto, prefiro a internet com seus malefícios, a apenas os paquidérmicos impérios jornalísticos “de verdade única”, aquela que interessa a do dono do jornal, televisão, revistas etc.

 

Viva a liberdade de expressão, em especial para TODOS.

 

Quem não quiser ver o lado podre da rede, faça como eu, não assista a autopsia do cantor sertanejo, por exemplo.

 

Mas quem põe no ar Datena, Marcelo Rezende, aquela lá das Mil e uma noites, será que tem estatura moral, de bom gosto e de respeito para falar de alguém?

 

Até mais,

1 Pode ser traduzido do grego como palavra, discurso, dentre inúmeros outros sentidos.

 

 

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