Outros Escritos Meus

Qual a sensação de se ganhar um Prêmio Nobel?

 Giovani Miguez

Qual a sensação de se ganhar um Prêmio Nobel?

 

Hoje passei pela sensação dos famosos que dizem “sempre sentir um frio no estômago” ao receberem um prêmio!

 

Coisa que eu não acreditava!

 

Já recebi alguns elogios por alguns trabalhos na minha profissão!

 

Um dia um cidadão, por conta de um trabalho que fiz no caso Cosipa/Usimina, disse que eu era um “low profile”!

(https://www.osoriobarbosa.com.br/peca-processual/civel/item/949-cautelar-usiminas-cosipa)

 

Como não conhecia a frase, pois não sei inglês, aliás, não conheço inúmeras frases em português, pensei que era ofensa! Com a ajuda de “universitários” descobri que não era ofensiva.

 

Em 06 de maio de 1999, todos os jornais do Brasil, praticamente, noticiaram minha ida à CPI do Poder Judiciário, tendo um jornal lá do Amazonas estampado: “Procurador não deixa pedra sobre pedra”! (https://www.osoriobarbosa.com.br/entrevista/item/863-cpi-senado-federal-do-poder-judiciario)

 

Alguns anos depois de me mudar de Manaus para São Paulo, o maior jornal do Estado do Amazonas fez o seguinte editorial: https://www.osoriobarbosa.com.br/entrevista/item/864-procuradores

 

Esses e outros elogios decorreram do meu trabalho normal, não buscava por eles, embora tenham sido extremamente envaidecedores, mas, repito, não tinha essa finalidade. Contudo, vieram e foram bem-vindos e são tratados com carinho.

 

Um dia, há muitos anos, li o livro “Pablo e Dom Pablo”, de Jurema Finamour, onde ela narra a trajetória (as vezes chocante) de Pablo Neruda para ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Ela era sua secretária!

 

Em vários livros que li, e já ouvi de algumas pessoas, no mundo da divulgação de escrita e premiação é necessário, como em tudo na vida, “ter contatos influentes”!

 

Freud foi assim! Einstein foi assim ao quadrado, dizia o físico brasileiro César Lattes...

 

Freud eu constato, a cada leitura, que foi um péssimo médico, mas um genial escritor.

 

Einstein tudo que é citado dele não tem fonte!

 

Mas são homens premiadíssimos!

 

Confesso que sempre tive pouca segurança sobre meus escritos não-jurídicos, talvez essa seja uma diferença com alguns escritores e, com os nordestinos, de quem tenho sangue, que não se envergonham com nada e nem por nada, daí seus sucessos, especialmente destes últimos no humor, por exemplo.

 

Ganhar um Prêmio Nobel requer muitos contatos, influências, jogo político, inclusive com o poder do país do pretendente. Não é nada fácil! A diplomacia e os pedidos têm que ser postos em campo!

 

Fiquei espantado quando o Marcelo Nocelli, editor dos “Poemas passionais” me disse que quem vende o livro é o autor!

 

É que eu vinha de uma experiência anterior atípica: tinha “vendido” 3.500 exemplares de um livro de cerca de 1.000 páginas sem quase nenhum esforço pessoal!

(https://www.osoriobarbosa.com.br/ideia/curiosidades/item/1608-como-um-livro-mudou-a-minha-vida-ou-como-juarez-de-oliveira-mudou-a-minha-vida)

 

Mas, confesso, tenho insegurança de oferecer meus livros, a uma pelo mau costume das pessoas em acharem que os editores não vivem de seus trabalhos, bem como os escritores profissionais, que não é o meu caso, e talvez seja esta a origem da minha timidez!

 

Mas como já li “Dom Quixote” algumas vezes, deveria ter aprendido com Cervantes que:

 

“Acontece muitas vezes ter um pai um filho feio e extremamente desengraçado, mas o amor paternal lhe põe uma peneira nos olhos para que não veja estas enormidades, antes as julga como discrições e lindezas, e está sempre a contá-las aos seus amigos, como agudezas e donaires.

Porém eu, que, ainda que pareço pai, não sou contudo senão padrasto de D. Quixote, não quero deixar-me ir com a corrente do uso, nem pedir-te, quase com as lágrimas nos olhos, como por aí fazem muitos, que tu, leitor caríssimo, me perdoes ou desculpes as faltas que encontrares e descobrires neste meu filho; e porque não és seu parente nem seu amigo, e tens a tua alma no teu corpo, e a tua liberdade de julgar muito à larga e a teu gosto, e estás em tua casa, onde és senhor dela como el-rei das suas alcavalas, e sabes o que comumente se diz que debaixo do meu manto ao rei mato (o que tudo te isenta de todo o respeito e obrigação) podes do mesmo modo dizer desta história tudo quanto te lembrar sem teres medo de que te caluniem pelo mal, nem te premeiem pelo bem que dela disseres.

O que eu somente muito desejava era dar-ta mondada e despida, sem os ornatos de prólogo nem do inumerável catálogo dos costumados sonetos, epigramas, e elogios, que no princípio dos livros por aí é uso pôr-se; pois não tenho remédio senão dizer-te que, apesar de me haver custado algum trabalho a composição desta história, foi contudo o maior de todos fazer esta prefação, que vais agora lendo.”

 

Mas é o próprio Cervantes quem diz da necessidade que temos de alguém para atestar o nosso trabalho!

 

Além do que do livro consta, não busquei, além do círculo restrito das amizades pessoas, depois da sua publicação, maiores “atestados” sobre ele!

 

Eis que, de repente, me aparece Giovani Miguez e diz:

 

“A POESIA DA VIDA

 

acabo de ler

POEMAS PASSIONAIS

de Osório Barbosa

Ed. PasaVento, 2015

 

Uma poesia clara, profunda e passional que, entretanto, não se perde em hermetismos estéticos. É como a vida: simples e ao mesmo tempo intensa. Osório se eleva como um poeta que fotografa com maestria a condição humana.

 

Recomendo!

 

[SINOPSE]

 

Nestes ''poemas passionais'', o autor, Osório Barbosa, usa sua criação para explorar, conhecer e sentir o mundo que habita. Sua matéria-prima é a vida, a sua vida: uma miríade de sentimentos, impressões, experiências, por isso, em seus versos há uma trajetória que rompe a incapacidade de dizer, o medo de se expor e de não ser compreendido. Osório é Bacharel em direito e procurador da República, posição que exige seriedade e conhecimento para a capacitação postularia, para sopesar argumentos, com a missão de fiscalizar e manter a lei, mas que também flerta com a filosofia... Além disso, Osório nasceu e cresceu sobre as águas da floresta amazônica e sob as lendas daquela região. Se, a princípio, essas duas esferas (os tribunais e a natureza) possam parecer muito distantes, entre elas, Osório construiu uma grande ponte, estruturada em arte, de onde nos mostra uma visão panorâmica dos nobres sentimentos humanos. É do alto desta ponte, de modo passional, que o leitor se deixa atravessar pelo lirismo e concisão dos poemas deste amazonense de fala e escrita leve, e grande capacidade de produzir belas construções verbais sobre os encantos e desencantos humanos.

 

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Leia meus livros!

umaniste.blog/leitura.”

 

Abalou minhas estruturas!

 

Em uma mistura de Alcione e Chico, digo: "abalou meus alicerces de mulher."

 

Disse tudo isso para agradecer ao amigo (hoje já o posso ter em tal conta!) Giovani Miguez, a quem não conheço pessoalmente, por seu despojamento, disposição e generosidade estampados no escrito.

 

Hoje já posso dizer que senti a sensação, talvez maior, pois não esperada, de como é ganhar um Prêmio Nobel!

 

Ele veio!

 

Daqui do lado e outorgado por um Poeta, sem pedido, sem insinuação, o que torna a minha premiação legítima e incontestável, pois nasceu do ânimo do julgador e sem que eu tenha imaginado sequer a existência de concorrentes!

 

Obrigado Giovani Miguez, se não fosse tamanha a presunção, eu diria que você lavou a minha alma de aprendiz de poeta!

 

Eternamente grato,

 

Osório Barbosa.