Outros Escritos Meus

Marcelo Maluf um invejado e invejável autor.

 

Marcelo Maluf um invejado e invejável autor.

Acabo de ver em jornal impresso (OESP de hoje, 11.10.16, vide foto) e, assim, reconfirmar o que vira nas redes sociais, que Marcelo Maluf, com seu romance “A imensidão íntima dos carneiros” (Editora Reformatório) foi premiado, na categoria estreante, com o Prêmio São Paulo de Literatura!

 

Diz a publicação:

“Já Marcelo Maluf venceu a categoria Estreante com mais de 40 com A Imensidão Íntima dos Carneiros (Reformatório). O livro acompanha a tentativa de um neto de imaginar o avô, morto antes de seu nascimento. A história se alterna entre os anos 1920 e 2013, entre as montanhas de Zhale, no Líbano, e Santa Barbara D'Oeste, no interior de São Paulo.

‘Agradeço meus antepassados. Contei com a presença deles na trajetória de escrita desse romance’, disse.

Para o júri, seu livro é, ‘ao mesmo tempo delicado, sobretudo na linguagem, e forte, na ideia de que toda tragédia perpetua, ainda que de forma não aparente. O autor bebe com felicidade incomum na tradição da narrativa e das fábulas para dar conta de uma trama que se passa em tempos e realidade tão distante’.”

No dia 19/05/2016 publiquei em minha página minha impressão de leitor não especializado sobre a obra de Marcelo. De lá colho os seguintes comentários:

“Inicio dizendo que a prosa poética do Marcelo, cujo sobrenome não vou citar (risos), me encantou e me incentivou a procurar aquela beleza em outros autores, pois eu tinha, também, acabado de ler o livro ‘O lirismo grego’, de Otoniel Mota (obra de 1934), por cujo título vocês já podem imaginar que foi um casamento perfeito, pois Otoniel, nessa obra, também esbanja metáforas poéticas de beleza inigualável, digo, ‘igualável’ às do Marcelo”...

...

“Gostei muito da linguagem poética do autor. Apenas o ‘auto-final’ não foi a chave de ouro que eu esperava. Parece, até, que não entendi.

Mas é um livro que eu releria, e acabo de fazer, bem como indicarei para meus filhos.”.

Lendo o que o júri disse e o que disse eu anteriormente, penso que, se me dedicasse ao ramo, poderia ser um jurado de “tribunal do júri”!

Mas, o que quero confessar é quase um crime!

Um crime sim, mas um crime da natureza humana!

Um crime que todos cometemos, mas poucos têm coragem de assumir, especialmente de e em público.

Alguns estudiosos (dentre os quais Helmut Schoeck, autor do livro “Inveja: Uma Teoria do Comportamento Social”), talvez para justificarem seu próprio crime, dizem que ele pode ser bom. Como um crime poderia ser bom?

O crime é a inveja!

“É a inveja que é mais relevante hoje. A inveja é um problema sério”, constatou outro.

Sempre tive a ideia, mesmo antes de ler os justificadores da inveja, aqueles que dizem que ela pode ser boa, em dividir a inveja em duas, as boas e as más!

As boas me levariam ou levariam as pessoas a buscar a igualdade ou superar o invejado, que seria a mola propulsora de um agir positivo.

A inveja má seria aquela: eu não tenho uma Ferrari, mas espero que você bata a sua em um poste!

Disse eu em algum outro lugar e oportunidade:

“O artigo ‘Você tem inveja?’ postula que o sentimento da inveja é um símbolo nacional. Seria interessante que o articulista dissesse se concorda ou discorda de Helmut Schöck, que fez um dos estudos mais importantes sobre a inveja (Inveja: Uma Teoria do Comportamento Social). Schöck notou que ela não está dirigida ao que a pessoa invejada tem, é ou parece ser: isto é cobiça, não inveja. A inveja é dirigida puramente à pessoa, muitas vezes sem se articular (e sem se saber) o porquê. O que Damatta chamou de inveja é, na verdade, cobiça. Mais importante, Schöck também notou que a inveja é um fenômeno universal e seu laboratório não foi o Brasil. Imputar ao povo brasileiro um 'defeito de fábrica" da humanidade não parece muito leal. Já temos muitos problemas reais para resolver.”.

Quando o livro do Marcelo começou a despontar, confesso, novamente, que em mim brotou uma pontinha do iceberg da inveja!

Foi, então, que me olhei no espelho e perguntei-me: por quê?

A resposta não veio de imediato, mas depois disse-me: você nunca escreveu um romance, por que invejar quem o fez? Você é capaz de escrever um?

Com dificuldade, mas convencida, a inveja foi embora, mas, reconheço, ela parece não morrer jamais, cabendo a nós dominá-la e colocá-la no seu devido lugar: aquele de fazê-la lembrar-nos que somos humanos e, por isso sempre somos tentados a cair no abismo que ela enseja.

Marcelo não me incentivou a escrever um romance, mas a terminar(?) um dos muitos que tenho iniciados (cerca de uns trinta!)! Uns têm 1 página, outros 4, 5, 6 ou até mesmo 600, outros apenas meia página ou  somente o título!

Disse tudo isso, apenas para parabenizar, novamente, o autor Marcelo Maluf e agradecer-lhe pelo incentivo que ele, certamente, nem sabe que exerceu, mas, vem daí, a importância da literatura em nossas vidas.

Parabéns e até mais,

Osório