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 Sua opinião e a cerveja

Você não quer a opinião alheia?

 

Ao ver a foto acima, com a frase nela contida, me disse: isso dá para escrever um texto legal.

Então fixei os seguintes pontos:

- as pessoas somente não gostam das opiniões que "lhes sejam desfavoráveis", foi um elogio elas se derretem!

- nem sempre o criticar é ruim para o criticado, pois as críticas costumam mostrar nossos erros e isso é uma bela oportunidade para nos corrigirmos.

- a crítica serve também para mostrar, muitas vezes, o despreparo do crítico! Muitos críticos são apenas imbecis!

- o dito homem público não pode dizer que "não pediu a opinião alheia", pois isso implicaria ele querer se colocar imune às críticas. O que é impossível por sua própria condição.

- pessoas "comuns" (em oposição ao homem público) que não querem receber críticas devem parar de usar as redes sociais, por exemplo, pois se fizerem tal uso estão se expondo, naturalmente, às críticas.

- se não quer ser criticad@, guarde para si, bem no fundo do baú, e trancado com oito chaves, suas fotos e opiniões (histórias, causos, mortes, aniversários, festas etc.).

- não quer ser criticado, não se exponha! Não entre nas redes sociais, por exemplo.

- não use roupas diferenciadas. Use roupas diferenciadas.

- não use acessórios. Use acessórios.

- não ria. Ria.

- peide. Não peide.

- não grite. Grite.

- dê esmolas. Não dê esmolas.

Fazer quaisquer dessas coisas, especialmente em redes sociais, é pedir criticas, e é o que está pedindo quem se expõe ao público.

Quem não se expõe, embora menos, irá receber suas críticas também.

Portanto, não peça críticas, que é o que está pedindo quem diz não está pedindo mas se expõe.

Resumindo: você não tem saída. Será, faça o que quiser, criticado.

Uma coisa que você pode fazer é estar preparad@ para responder por seus atos, aqueles que geraram a crítica.

Da crítica nem a morte te libertará!

Você está lascado, pois, respirou, ou até mesmo antes disso, basta que seja fruto de uma gravidez não desejada, por exemplo, já estará sujeito às críticas!

Então, não repita a frase sem sentido contida na foto.

Inté,

Osório Barbosa

Chico Buarque sabe cantar

 

Chico Buarque canta bem?

 

Ô reino onde a inveja humana está sempre na moda é o "reino do meio" dito artístico.

O artista é um ser humano com o dna da inveja turbinado.

As críticas à Lei Rouanet demonstram isso. Aquele que não é escolhido reclama da citada lei.

Ocorre que quem decide "financiar" um projeto pela referida lei é o empresário que vai pagar (ou iria pagar) o Imposto de Renda.

Se o empresário fosse burro não era empresário a pagar imposto de renda.

Pois bem, entre a Gal Costa e a Xinfronésia de Cabrobó o empresário vai escolher quem para divulgar o nome de sua empresa?

Fique com a resposta e não a equeça!

Voltemos à inveja artística.

Meu tio Osório, faz mais de quarenta anos, dizia que Chico Buarque é um excelente cantor, que canta muito bem!

Para o que ele, Chico, se propõe, interpretar suas músicas geniais e as de alguns poucos outros, segundo meu tio, ele o faz muito bem!

Sabe cantar, e canta muito bem!

Uma outra coisa é você comparar a voz do Chico com a de alguns outros gênios como, por exemplo, para mim, Nelson Gonçalves!

Nelson também sabe cantar e canta bonito!

Nelson tem uma voz, em termos de melodia e beleza, superior à de Chico, ninguém pode negar, mas Chico canta tão bem quando Nelson.

Nem vou falar de poesia musicada que aí Chico não tem concorrente e não é este o tema.

Fiquemos por aqui: o invejoso "se confundiu-se"!

Inté,

Osório Barbosa

Bosch O jardim das delícias

Bosch O jardim das delícias 2

Nada mesmo é novo no mundo!

Olhando o quadro "O Jardim das Delícias Terrenas" do holandês Hieronymus Bosch (deve ser o pai das ferramentas também!), criado entre 1503–1515 (quando o Brasil estava no "bieço" dos portugueses), percebi o detalhe que destaco da pintura.

E por que o destaque?

É que há pouco anos alguns fdp's ficaram estarrecidos com uma peça aqui em São Paulo onde os atores, nus, enfiavam o ou os dedo/s no ânus do colega da frente na roda em que formavam!

Ou seja, os estúpidos nunca admiraram Bosch (talvez a furadeira!) ou são apenas hipócritas cretinos.

Não sei e nem quero saber se um ramalhete de flores ou um dedo é ou não uma delícia em ânus, apenas não me espanto, admiro ou condeno quem se propõe a isso.

Maraã/São Paulo, 04.01.20.

Inté,

Osório Barbosa

eu mensagem de 2020

 

Porque me tornei um humanista!

 

Muitas vezes, na paz ou no desespero, me pergunto, como alguém, saído, literalmente, do meio da selva amazônica, filho de pai analfabeto e mãe semiletrada pode embarcar nessa nave frágil e bela, construída de cristal e papel crepom, a navegar por mares com suas águas revoltas e seus rochedos invisíveis, que é a defesa do ser humano?

Certamente que essa defesa intransigente me veio quando percebi a beleza, a fragilidade e a unicidade da vida.

Talvez o maior golpe de beleza me tenha vindo quando, ao meus 22 anos de idade, ainda muito pobre, vi uma mãe negra, desdentada, maltrapilha e que pedia esmolas juntamente com seus três filhos na Rua Nossa Senhora de Copacabana levantar-se da calçada acompanhada de sua prole e sair cantando ao seguir a banda que passava.

Era carnaval!

Já a unicidade me veio com a morte precoce de meu pai, ele tinha 51 anos e eu apenas 16!

Não apareceu outro Juarez em minha vida, mesmo eu esperando, até hoje aos 57 anos de idade, por sua volta!

Ainda espero encontrá-lo ao dobrar uma esquina, ou vê-lo caminhando pela rua enquanto me desespero para descer do ônibus em movimento para ir ao seu encontro, tudo para irritação do motorista e de alguns passageiros que não entenderão o que estará acontecendo na explicação breve e sem sentido!

Já a fragilidade da vida, que sempre esteve em meu raio de visão, a ele se chocou como um pássaro que estilhaça o vidro de um carro em movimento, no dia em que li sobre a brutal morte de um jovem que foi vítima de um ataque com um taco de beisebol no interior de uma livraria situada na avenida Paulista!

As perguntas que imediatamente me fiz foram:

- como pode isso ter acontecido?

- como alguém pode ser atacado com um taco de beisebol?

- como alguém pode ser atacado com um taco de beisebol no interior de uma livraria?

- como alguém pode ser atacado com um taco de beisebol no interior de uma livraria em uma das avenidas mais seguras da grande metrópole?

Não! Não! E não!

A vida, talvez por não ter nenhum sentido prévio tenha em si todos os sentidos!

Até hoje, desde que os registros começaram, nos debatemos sobre o sentido da vida, porém, melhor seria, se dialogássemos sobre os sentidos da vida! Embora isso nos metesse em um maior cipoal que aquele em que já nos encontramos, uma vez que ainda não fomos capazes de descobrir o sentido, imaginem os sentidos!

E certamente eles são plurais, eu não tenho dúvidas quanto a isso!

Temos, por exemplo, o sentido do viver como filho, viver como pai, viver como amigo, viver como estudante e tantos outros na mesma proporção em que são as máscaras que colocamos todos os dias para sermos os seres plurais que somos na interpretação de nossos personagens que nos permitem sobreviver e, assim, melhor, conviver!

A vida é uma nau sem rumo!

Ela pode nos levar aos paraísos, e eles são muitos, como também aos abismos, e estes não são menores!

Mas quem pilota as nossas vidas?

Qualquer piloto que tenha sido apontado é uma farsa!

Qualquer piloto que venha a ser apontado será uma mentira!

Mas os copilotos somos nós, os viventes, e isso é uma “certeza”!

Entretanto, o copiloto pode fazer muito, mas não pode fazer tudo para que a melhor trilha seja seguida!

A velocidade ou a falta dela, os buracos, os montes, o excesso ou a escassez dos ventos, tudo pode ser causa para um “eu devia ter feito diferente”, isso quando se tem tempo para refletir em como você poderia ter feito melhor, embora, nas circunstâncias iniciais de escolha sendo isso mesmo que você tenha feito!

O jovem morto no interior da livraria poderia ter ficado em casa para ir a um baile funk a noite em um bairro periférico de São Paulo. Se no baile fosse morto, como o Estado mata muitos, alguém diria: “ele estaria vivo se tivesse ido a uma livraria!”

Assim, nos encontramos em um beco sem saída, em uma “sinuca de bico”, como dizia meu pai quando ele, juntamente com amigos e eu jogávamos bilhar em pequenas mesas de oito bolas lá em Maraã nos anos 70!

Mas, embora eu ainda não saiba como me livrar das “sinucas de bico” da vida, tenho uma simples proposta:

Ame a vida, a sua e a dos demais.

Respeite a vida, a sua e a dos demais.

Queira viver, mas deixe os outros também viverem.

Ajude-se a viver.

Ajude os demais a viverem.

Faça o que entender melhor, nas circunstâncias, por si e pelos demais, mas, se não puder ajudar, se omita para não prejudicar outros seres humanos que são únicos, frágeis e irrepetíveis, tal qual você!

Inté,

São Paulo, 31.12.19.

Osório Barbosa.

Macaco azul juntas

Como criamos o mundo!

(O macaco azul)

 

Por volta de 2010, quando meu filho Osório di Maraã tinha cerca de quatro anos, mostrei-lhe a pintura retratada na foto que enfeita este escrito.

 

Eu já a conhecida de antes do nascimento dele.

 

Ela existia na parede de uma borracharia que fica na Praça 14 Bis, aqui em São Paulo.

 

Vejam que, na outra foto, atrás da borracharia tem um prédio e umas vigas expostas que formam "uma escada" gigante.

 

Então, contei-lhe a seguinte história:

 

" - Filho, você está vendo aquele macaco azul?

 

- Sim!

 

- Dia desses eu ia passando por aqui quando ele saiu correndo da parede e começou a subir aquela escada. Vês a escada?

 

- Sim!

 

- Pois é! Ele subiu muito rapidamente, mas de degrau em degrau!

 

Ele ficou espantado.

 

- Chegou lá em cima, colocou a mão espalmada sobre os olhos para empatar que o sol não deixasse ele ver direito. Olhou para um lado, para o outro, para trás, para frente. E, depois, gritou, várias vezes: "Osório", onde você está? Você ouviu ele te chamando?

 

- Não!

 

- Pois é, como ele não te viu, ele desceu lentamente pela escada e voltou para a parede de onde ele tinha saído! Você sabe o que ele queria com você?

 

- Não!

 

- Será que ele não estava com fome e queria banana?

 

- Não sei!

 

- Um dia a gente pára o carro aí e vai perguntar dele, certo?

 

- Certo.

 

O tempo passou e sempre que passávamos por lá ele lembrava da história ao apontar para o macaco azul.

 

O tempo levou-lhe a inocência. Ele já não prestava mais muita ou nenhuma atenção no macaco.

 

Um dia lembrei-lhe da história e ele disse:

 

- O senhor me enganava!

 

- Nunca, meu amor! Respondi-lhe. O papai jamais faria isso. O que fiz foi te contar uma história como aquelas que eu ou sua mãe líamos nos livros de histórias infantis para você!

 

Ele ficou desconfiado, mas concordou com um meneio da cabeça.

 

- Você, quando era criança, acreditava nessa história do macaco azul, não acreditava?

 

- Claro.

 

- Pois é! É assim que os homens inventam suas histórias, criam seus monstros, como a quimera, o dragão, o unicórnio, o centauro, o "Harry Potter, que você gosta, seus deuses e tudo aquilo que acreditamos que seja verdade, mas que não passam de criações artísticas de homens inteligentes, seja para distrair os outros homens, seja para enganá-los maldosamente.

 

- Entendi!

 

Recentemente, o Osório já com 12 anos, passando pelo local, ele viu que o macaco azul já não estava mais lá. Então, perguntou:

 

- Pai, cadê o macaco azul?

 

Respondi-lhe:

 

- Ou ele conseguiu fugir de sua prisão na parede para sua floresta ou uma mão de tinta de um caçador infeliz, que que não tem sensibilidade para conhecer a beleza o matou!

 

Nos calamos, mas o clima foi de tristeza banhada pelas recordações.

 

Inté,

 

Artistas e boquinha

Artistas e perda de “boquinha”!

(Discussão e fundamento: necessidade)

 

Dia desses compartilhei um post cujo título da matéria dizia: “Artistas e intelectuais lançam manifesto contra 'desmontes de Temer'” (a fonte está indicada abaixo).

Um amigo meu fez um comentário no meu compartilhamento dizendo, simplesmente, algo do tipo: “Reclamam por que [sic] perderam a boquinha”!

Na foto que ilustra o artigo aparecem as fisionomias de: Chico Buarque de Holanda, Maria Rita Kehl, Wagner Moura e Laerte.

Chico não precisaria de explicação sobre quem ele é, não fosse a maldade da qual vem sendo vítima, mas vamos lá: cantor e compositor das mais belas canções brasileiras de todos os tempos; poeta; teatrólogo; escritor premiado; cachê elevado e shows lotados.

Maria Rita Kehl, psicanalista, jornalista, ensaísta, poeta (poetisa, soa tão ‘musical’ e delicado), cronista e crítica literária. Escritora premiada.

Wagner Moura, ator requisitadíssimo e no auge da carreira e da fama, com papéis desempenhados no Brasil e no exterior.

Laerte (Coutinho), um(a) do(a)s cartunistas mais respeitado(a)s em sua área.

Ou seja, artistas com amplas possibilidades de viverem de seus dignos “salários”!

Então, por que falar que os acima nominados defendem suas posições políticas por conta de “boquinhas” (mesada dada a míseros parasitas que defendem pontos de vista políticos por necessidade) que necessitem para sobreviver?

No mínimo uma tremenda injustiça e, mais, uma baita inveja!

Injustiça pelo acima dito (não precisam de “boquinhas” para sobreviverem, e muito bem, obrigado).

Inveja por conta de: são bem melhores que seus detratores, especialmente aqueles que cunharam tal termo, nascido nos últimos meses de ódio que campeia no Brasil, onde pessoas sem o menor talento tentam enxovalhar artistas de primeira grandeza, como são os nominados.

Pedi ao meu amigo: não repita esse mantra idiota!

Depois acrescentei:

A vida sem arte seria uma merda! Arte é cultura, mas poucos sabem o que é isso, daí falarem tamanha besteira!

O museu do Vaticano, do Louvre e tantos outros são formados por obras de "artistas" sustentados por quem sabia o quanto a arte é importante para a vida do ser humano!

Os botos (que participam do folclore da cidade) lá em Maraã, aos quais você (no caso o meu amigo) é tão ligado e gosta tanto, vivem sem o incentivo necessário a que alguns de má-fé chamariam de "boquinha"?

Ao que sei, sem a ajuda do Município, os botos (tucuxi e vermelho) sequer brincam e disputam! Aliás, recentemente, os bois não brincaram porque a “prefeitura” não fez a sua parte!

Chico Buarque, por exemplo, é um patrimônio do Brasil e um homem que deve orgulhar a todos nós brasileiros e seres humanos, daí ser um homem universal!

As posições políticas do Chico são ou podem ou devem ser diferentes de sua arte!

O que a música “O meu amor”, por exemplo, tem a ver com o pensamento político do Chico?

Vejam esta estrofe:

O meu amor tem um jeito manso que é só seu

E que me deixa louca quando me beija a boca

A minha pele toda fica arrepiada

E me beija com calma e fundo

Até minh'alma se sentir beijada”.

Tem algo mais belo? Onde há política partidária na música?

Quem fez melhor? Até agora ninguém!

Vejam quem são os detratores de Chico, por exemplo!

Nem vou citar nomes para não “desabonitar” os daqueles acima citados.

Se eu tivesse condições financeiras, viveria cercado por artistas, como viveram muitos homens de bom gosto! Mas...

Espero que nós, de Maraã, aprendamos a valorizar o belo, pois ele é o remédio para a alma!

Uma bela música, um belo filme faz as pessoas viajarem por horas, esquecendo a vida e seus problemas!

Por isso, te peço: pense nisso!

Ele insistiu, fixando-se apenas no fato de eu ter chamado o “mantra” de idiota (a citação, não ele, por certo) embora sem ponderar minhas considerações acima e eu lhe afirmei e perguntei:

O mantra não é seu! Ou é?”.

Continuei:

Você acha mesmo que é perda de boquinha que leva tais artistas a protestarem?

Repeti: você se fixou apenas no primeiro parágrafo da minha mensagem (quando disse que o mantra é idiota)!

Como sei que meu amigo também é artista, perguntei-lhe:

Sendo artista também, você vive de boquinha?

A coisa fica complicada de discutir – sempre em busca de aprendermos, já que nada sabemos –, sem que exista fundamentação!

Qual sua fundamentação para falar que os artistas estão preocupados apenas com suas boquinhas?

Não houve resposta!

Disse-lhe mais:

O último parágrafo do meu escrito foi um pedido, não uma ordem (até por gostar disso e não ter nenhuma autoridade sobre o amigo) para pararmos a nossa conversa!

O amigo citou dois nomes de outros artistas e eu lhe respondi:

No meio do trigo tem o joio!

Queixou-se de que projetos dele não tinham sido aproveitados, ao que retruquei:

Quem sou eu e você? Muito pouco interessantes para que alguém ouça nossos projetos, mesmo eles sendo, talvez, os melhores! Eu mesmo “banco” um deles (concurso de poesia) com recursos próprios!

Os quatro artistas na foto que abriram este post são tão excepcionais que, certamente, vivem sem ajuda de governos!

Mas todos os governos ajudam alguém, geralmente aqueles que o apoiam!

Lembre-se que são os artistas os aglutinadores de público para que os políticos façam seus comícios!

Se você tivesse fundamentado sua postagem inicial citando o tal Luan Santana, como faz agora, não estaríamos conversando tanto sobre isso! Mas, espero que a conversa tenha sido, de algum modo, proveitosa para você, pois o foi para mim.

Por fim, não sou dono da verdade, caso me sentisse tal, sequer conversava com amigos como você, pois quem faz isso corre um sério risco de mostrar a todos aquilo que é só deles (e meu também), que não sabemos de nada!

Mas, o fundamental, é preciso fundamentar nossos argumentos, até para que nossos interlocutores saibam do que estamos falando.

Aliás, penso que é por falta de fundamento, que a internet, ou alguns, o que não é o meu caso, passaram a detestar “textões”.

Na verdade não existem “textões”, existe falta de argumento, pois é impossível explicar a obra de Cervantes em três palavras.

Inté,

Osório Barbosa

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2017/04/14/artistas-e-intelectuais-lancam-manifesto-contra-desmontes-de-temer/index.html

Homem e mulher das cavernas

 

Recado machista!

 

O não é como um arame, pode virar um anzol.

 

Sempre, especialmente na época do carnaval, rola aquele meme: "Não, é não"!

 

Também se lê: "Mano respeite as minas"!

 

Etc. e tal.

 

Diz o sábio popular que "o não você já tem"!

 

Costumo dizer que o não de algumas minas é como um arame, pode virar um anzol.

 

Anzol tanto captura para o bem como para o mal, afinal o peixe morre pela boca.

 

Mas, a dica de um cara ex-feio, pobre e chato, para as minas é a seguinte:

 

- Mina não responda, se não estiver a fim, nem sim, nem NÃO!

 

A postura para afastar o inoportuno é a INDIFERENÇA!

 

É que existem uns "não" que são verdadeiros "sim"!

 

A mina diz não, mas suspira fundo!

 

A mina diz não, mas revira os olhos!

 

A mina diz não, mas sorri!

 

A mina diz não e sai olhando para traz sobre os ombros!

 

O inoportuno faz leitura corporal também e entende, então, que aquele "não" está cheio de "não convicção", que é dúbio!

 

Sendo assim, ele investe!

 

E nessa investida, aqueles nãose tornam sim, pois deixaram a porta aberta para um convencimento que acaba por ocorrer.

 

Dobrar um não é possível, tenho visto, já uma indiferença, jamais!

 

Contra a indiferença não tem argumentos!

 

A indiferença deixa o inoportuno sem saber o que fazer, sem saber o que dizer, "perdido de pai e mãe"!

 

Pior, deixa o inoportuno sem saber onde enfiar a cara!

 

É a pior vergonha que um inoportuno pode passar!

 

Com a indiferença, o inoportuno vira um "homem lixo"!

 

Portanto, fica a dica!

 

Inté,

 

Osório Barbosa

 

 

P.S.: o texto arriba se refere ao inoportuno que usa apenas palavras, violência é sempre crime.

 

Fonte da imagem: https://br.depositphotos.com.

 

Cosmo Alfarrábio

Uma investigação pela saudade!

(procurando um desconhecido: Cosmo!)

 

Meu conhecido Isildo consultava-me sobre sua possível ida à Manaus para conhecer a cidade. Disse-me que gostaria de conhecer suas livrarias e sebos.

 

Respondi-lhe que Manaus tem poucas livrarias e menos sebos ainda! Que, ao que me lembrava, tem dois sebos, um deles, o maior, situado na av. Getúlio Vargas, de nome Alfarrábio.

 

Isildo pulou na cadeira e, apontando para o outro lado da rua, onde localiza-se uma lanchonete, comentou:

 

- Você lembra do Alfarrábio que frequentava o BH?

 

- Quem?!

 

- Um senhor de barbas longas que caminhava com uma bengala e sempre estava ali, apontou novamente.

 

Bingo!

 

O processador entrou em funcionamento e lembrei-me da figura!

 

Um homem baixinho e de cabelos e barbas longas e bigode curto, pois, este, sempre estava aparado. Além de ser mais escuro que o restante de seus pelos.

 

Chamava-me a atenção o fato de ele parecer com a figura de Antônio Conselheiro, o homem de Canudos.

 

Comecei a vê-lo na região da rua Augusta há cerca de quinze anos, mas não o vejo mais na área há cerca de uns oito anos!

 

Nos perguntamos: onde ele está? O que aconteceu com ele?

 

Atravessei a rua e fui até uma banca que fica ao lado da mesa em que o dito homem sempre ocupava e perguntei ao proprietário, o Reinaldo, sobre a dita figura, que apenas descrevi, pois até então não sabia o seu nome. Foi, então, que o Reinaldo me disse que ele se chama Cosmo, mas que também não sabia mais nada sobre ele, apenas que tinha sumido da região.

 

Com esses poucos dados, dois, três dias depois, fui à internet, google, e busquei por “Cosmo Rua Augusta” e tchan, tchan, tchan, aparece-me na tela do celular o “Cosmo em pessoa”!

 

Feliz, no dia seguinte mostrei a foto para o Isildo, Reinaldo e outros que também conhecem o Cosmo.

 

Finalmente tínhamos algo sobre a ilustre figura que enfeitava a esquina das ruas Augusta com Luís Coelho.

 

Alguns dias depois, Reinaldo me chamou e me apresentou a um senhor de nome Canuto, amigo do Cosmo da época em que este trabalhava na rua Augusta.

 

O simpático Canuto disse-me que Cosmo tinha uma loja, de número 16, na Galeria “Augusta Shops”, na própria rua Augusta, e que agora estava internado numa casa para idosos no bairro do Pari.

 

Essas novas informações trouxeram-me à mente o fato de Cosmo, depois de “abandonar” a galeria, ter passado a vender seus livros na esquina das ruas Augusta com Antônio Carlos, e lá cheguei a comprar alguns livros com ele, que sempre estava muito sério. Nenhum mísero sorriso, como a não deixar brecha para o pedido de desconto.

 

No sítio onde encontrei a foto do Cosmo (http://zadoque.com/2011/Prefeitura-contra-as-bancas-01.php), a chamada da matéria na qual ele é entrevistado diz: “Prefeitura contra as bancas de sebos e de revistas usadas”. Então passei a imaginar uma das possíveis causas para a ausências de Cosmo do seu cantinho favorito no final das tardes para seu happy hour!

 

Às segundas-feiras jogo futebol e fico os outros dias da semana mancando, pois aos cinquenta e quatro anos as coisas já não estão tão azeitadas como a gente queria e, foi ao me ver mancando, que Reginaldo, na presença de Canuto, comentou:

 

- Você está igual ao Cosmo, baixinho e mancando!

 

Rimos.

 

- Mas, no meu caso, mancar vem de eu ser um craque do e no futebol.

 

- Melhor assim, disse Reginaldo, pois no caso dele é gota.

 

Com mais uma informação sobre o prontuário de Cosmo, fui conhecer o Pari à procura da tal casa para idosos.

 

Antes de ir ao Pari, perguntei a um conhecido, o chileno Ludwig, que vende periscópio na Rua Augusta, se ele conhecia o Cosmo. Ele disse que sim e que tinha estado com ele fazia poucos dias!

 

Fiquei feliz e combinamos uma visita ao Cosmo, já que o meu informante disse que sabia chegar ao local, mas não sabia dizer o nome da rua, pois não sabia, acrescentando que também era difícil chegar lá.

 

Marcamos para uma manhã de segunda-feira, mas, por um motivo qualquer, não fomos. Além do mais, nossos horários não combinam. Estou na região da rua Augusta durante o dia e o Ludwig à noite.

 

Pedi ajuda ao senhor Nardinho, que tem uma oficina que conserta radiadores no Pari, onde já levei um de meus carros. Ele me disse que não conhecia nenhum abrigo na área, mas ficou com meu telefone e disse que se soubesse de algo me avisaria. Não avisou.

 

No bar Monarca, em 06.05.14, eu e Isildo fomos acompanhados por um parceiro, o professor Jair, que estava, por sua vez, acompanhado de um amigo. Na hora que esse amigou foi se despedir de todos, disse, não lembro a razão, que morava no Pari.

 

Perguntei, imediatamente, se ele conhecia alguma casa de acolhimento de idosos no bairro. Ele disse que tinham várias! Acrescentou que um deles era mantido pelo poder público. Ele, então, me disse que sabia onde tinha um desses abrigos:

 

- Na praça Cantuta, tem o IFESP e, ao lado dele, tem um abrigo.

 

- Como faço para chegar lá?

 

- Do que você vai?

 

- De metrô.

 

- Desça na estação Armênia e pegue a avenida Cruzeiro do Sul, que fica a esquerda de quem desce da estação e vá em frente. No final dela está a praça. É onde se reúnem os bolivianos para venderem coisas da sua terra e conversarem.

 

Agradeci e ele se foi.

 

Num sábado, 17.05.14, depois de ter procurado sem sucesso na internet os abrigos públicos para idosos no Pari e não ter conseguido, munido da fotografia do Cosmo baixada da internet, me aventurei na empreitada investigativa.

 

Desci na estação Armênia do metrô. Segui, a pé, pela avenida Cruzeiro do Sul, que é a principal. Andei bastante, pois a praça fica bem distante da estação. Cheguei ao IFESP e uma moça foi até o portão e, gentilmente, tentou me ajudar. Disse-me que eu tinha passado em frente a um abrigo, que ficava na mesma calçada.

 

Agradeci e voltei.

 

Dois homens, conversavam no portão. Pelo teor da conversa percebi que eram moradores de rua. Um deles dizia que estava querendo voltar para aquele abrigo, já que aquele em que ele estava dormindo era muito ruim, “tem um cara lá que é muito chato!”, disse.

 

Esperei, sentido o cheiro forte de álcool que eles exalavam, que parassem por um instante a conversa entre eles para que eu pudesse perguntar como fazia para me informar sobre um possível morador do local. Aberta a brecha, perguntei e um deles indicou-me a campainha. Toquei e logo em seguida veio um homem de cerca de 30 anos me atender.

 

Um dos homens se antecipou e perguntou se podia passar a noite ali. O rapaz disse que ele voltasse depois das 19 horas.

 

Perguntei, então, mostrando a foto, se Cosmo morava ali. O rapaz respondeu negativamente. Indaguei-lhe se existiam outros abrigos na região. Ele disse que sim. Na mesma calçada, depois da praça tinham mais dois abrigos. Rumei para lá. Parei em um boteco e perguntei a um garçom, mostrando-lhe a foto, se ele conhecia aquele homem. Ele respondeu que não, mas que eu podia ser informado no abrigo ao qual eu tinha visitado a pouco. Agradeci e caminhei.

 

Já estava escuro. A noite chegou mais cedo!

 

No outro abrigo, que fica na mesma rua, só que bem distante do primeiro, fui atendido por uma jovem senhora, que me disse não conhecer o homem da foto, portanto, que Cosmo não estava lá. Um jovem, cerca de 18 anos, morador do abrigo e engraxate, vi pela caixa pendurada em seu ombro, aproximou-se de nós e disse-nos que já tinha visto aquela pessoa nas redondezas, só não lembrava onde. Perguntei onde era o terceiro abrigo. “O senhor sai e vira a esquerda, depois esquerda de novo. Fica atrás deste aqui, só que não tem passagem de um para o outro”. Agradeci e fui para lá.

 

Pessoas dormiam sobre colchões e catres jogados pelas calçadas. Fumavam e bebiam. Alguns acendiam seus cachimbos para fumar “crack”. Fiquei com medo, mas não fui incomodado, sequer por um pedido do que quer que seja.

 

No abrigo fui atendido por um casal de funcionários que ao olharem a foto disseram-me que ali não morava tal pessoa. Antes, contudo, quiseram saber qual o motivo da minha busca por aquela pessoa, especialmente quando eu disse que não era parente do Cosmo.

 

Respondi rapidamente e saí.

 

A escuridão da rua era quase total. Fiz o percurso inverso: direita e direita e cheguei novamente à avenida Cruzeiro do Sul, mais iluminada, porém deserta! Também não fui incomodado no meu regresso, apesar das muitas pessoas que eu supus serem moradoras de rua.

 

Voltei ao segundo abrigo que visitara.

 

Disse ao jovem engraxate que o recompensaria se ele localizasse o Cosme.

 

... continua em: https://www.youtube.com/watch?v=rPo_CVn5zZA&t=135s.

 

Obs.: ainda devo o passeio ao Cosmo, o qual, após meus guere-gueres de saúde, espero pagar este ano, com a ajudado do Ludwig Henriquez Ravest!

 

Inté,

 

Osório Barbosa

 

P.S.: o escrito acima foi publicado, inicialmente, em 16 de janeiro de 2017, recentemente o amigo Sebastian Moraes me disse que o Cosmo faleceu. Infelizmente não paguei minha promessa para com ele!

 

Mãe negra meu guri

Olhando o guri Chico Buarque!

 

Quem tem por ofício o de escrever, especialmente o de poetar, sabe como as Musas são, muitas vezes, algozes de seus servos!

 

Luís Fernando Veríssimo já escreveu sobre aqueles dias em que o escritor olha para o papel, o papel olha para o escritor e este tem que, digamos, tirar leite de pedra, pois a inspiração está de mal humor, portanto, para pouca ou nenhuma conversa.

 

Porém, pelo conhecimento que tenho, foi Paulo César Pinheiro, poetando em “O poder da criação” quem melhor explicou o processo criacional do escritor ao desvelar:

 

“Não, ninguém faz samba só porque prefere

Força nenhuma no mundo interfere

Sobre o poder da criação

Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito

Nem se refugiar em lugar mais bonito

Em busca da inspiração

 

Não, ela é uma luz que chega de repente

Com a rapidez de uma estrela cadente

E acende a mente e o coração

É, faz pensar

Que existe uma força maior que nos guia

Que está no ar

Vem no meio da noite ou no claro do dia

Chega a nos angustiar

E o poeta se deixa levar por essa magia.”

 

Tendo essas lições como Norte, me perguntei: será que Chico sabia, antecipadamente, tudo o que disse na letra da música “O meu guri”, especificamente?

 

Me veio tal pergunta enquanto chorava ouvindo a música na voz inconfundível, pela doçura cortante, de Elza Soares.

 

Mas quero mostrar-lhes algumas coisas que tirei, nessa interpretação, da memorável letra musical, antes esclarecendo que, embora todos saibamos, “depois de publicado o texto não mais pertence ao seu autor” nas hermenêuticas que sobre ele venham a fazer seus leitores.

 

Inicio com o papel da mãe, e Chico, mais uma vez, se coloca como homem/poeta algum jamais conseguiu fazê-lo no papel “siamês de um só coração” da mulher!

 

Assim é que ele, no caso ela, a mãe, louva o filho independentemente do que quer que ele tenha feito, faça ou venha a fazer!

 

Amor de mãe é tão amor que a cegueira chega a grau tão elevado que a cega para a verdade, seja ela qual for.

 

Mas vamos à letra parida em 1981:

 

O meu guri.

 

O pronome possessivo já informa ao (à) leitor@/ouvinte sobre quem a “narradorA”, em primeira pessoa, irá falar.

 

Não é sobre o filho desta, daquela ou de qualquer outra, mas sobre o filho dela (o “meu” guri). Portanto, não esperemos dessa mãe a tão difícil e quimérica imparcialidade, conceito tão maleável como os são todos os acontecimentos da vida, pois eles estão sujeitos “ao tempo, ao local e às circunstâncias”.

 

A vida é feita no e pelo seu fluir.

 

Então, não sejamos cruéis a ponto de exigir, sempre dos outros, a imparcialidade que não temos quando julgamos o sangue do nosso sangue.

 

Concedamos, sejamos benevolentes.

 

“Quando, seu moço, nasceu meu rebento

Não era o momento dele rebentar.”

 

Era prematuro o rebento?

 

A mãe não estava ainda preparada para a maternidade? Era muito jovem ou a instabilidade econômica, em especial, a impedia de partejar como planejava?

 

“Já foi nascendo com cara de fome.”

 

Cara de fome já indica as condições sociais da mãe. Seria ela aquele ser humano que chamamos de pobre, vindo daí decorrências nefastas que, de outro modo e condição, poderiam suprir ou minorar muitas das dores futuras.

 

“E eu não tinha nem nome pra lhe dar.”

 

É peculiar entre pobres e iletrados não escolherem com antecedência os nomes dos seus filhos. Inúmeras vezes se socorrem dos padres para por-lhes nomes, daí algumas dessas famílias serem compostas por Heráclitos, Péricles, Horácios e outros gregos ou latinos famosos.

 

Mas, também, pelo “ainda não tinha”, a significar que, pelo menos, esperançava um dia ter, podemos voltar à questão do guri ser prematuro! Será?

 

“Como fui levando, não sei lhe explicar

Fui assim levando ele a me levar

E na sua meninice ele um dia me disse

Que chegava lá

Olha aí

Olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri.”

 

Sim! A arte de viver dos pobres é inexplicável.

 

Como uma família consegue sobreviver ganhando um salário-mínimo? As vezes com menos de um salário-mínimo? E outras tantas sem salário algum?

 

E em 1981, “tempo da maldade” a humana bolsa-família “nem tinha nascido”!

 

Mas o guri já tinha sonhos, como sonham todos os meninos, pois “todo menino é um rei”, como disse outro poeta.

 

Que sonhos eram esses? Quais os motivos que o faziam sonhar? Estudar? Trabalhar? Ter um “tênis conga” como tinham os guris ricos da televisão?

 

“E ele chega

Chega suado e veloz do batente.”

 

Houve um pequeno salto e já vemos o guri no batente! Já trabalhando e, como todo trabalhador, chegando suado em sua casa, casebre ou barraco.

 

A velocidade seria para o banho reconfortante a limpar o suor vindo da labuta?

 

Que mãe não veria, ou queria ver assim?

 

“E traz sempre um presente pra me encabular.”

 

É um filho carinhoso, cativante, embora, para as mães, muitos filhos pensem que disso elas não precisam e com eles elas concordam!

 

“Não precisava se importar”, dizem com extrema sinceridade.

 

Os presentes entre os pobres é fator de encabulamento sim! Talvez pela falta de hábito em receber mimos!

 

“Tanta corrente de ouro, seu moço

Que haja pescoço pra enfiar.”

 

Ouro! Mesmo o pobre sabe que este metal custa caro.

 

Os presentes caros são mais encabuladores ainda.

 

“Não! É muito caro, eu não mereço”, é uma das frases corriqueiras no mundo dos miseráveis.

 

“Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro

Chave, caderneta, terço e patuá

Um lenço e uma penca de documentos

Pra finalmente eu me identificar, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri

E ele chega.”

 

“Terço e patuá” é bem a cara do brasileiro em seu sincretismo religioso.

 

Aqui comprovamos que a mãe era, além de pobre, analfabeta, pois com a “penca de documentos” ela, finalmente, irá se identificar!

 

Podemos até imaginar, diante do preconceito racial que ainda assola o Brasil, que essa mãe era negra também, e, na visão da repressão abusiva estatal, sendo os negros “todos iguais”, “sempre suspeitos”, essa mãe parece não se importar com as fotos apostas nos documentos, pois, se ditos documentos, para ela tinham importância, na visão repressora eles não fariam a mínima diferença, com eles ou sem eles ela já é culpada. Será?

 

“Chega no morro com o carregamento

Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador.”

 

Esses objetos são adquiridos com o fruto do suor do rosto do seu filho, claro, pois ele os trazia quando voltava do batente.

 

“Rezo até ele chegar cá no alto.”

 

Para as mães não basta serem boas, elas buscam sempre ajudas a fim de serem melhores ainda para com as suas proles, invocando a tudo e a todos para despejarem suas proteções extras sobre os seus rebentos.

 

“Essa onda de assaltos tá um horror.”

 

Pois não é?!

 

Imaginem se seu precioso filho tem o produto do seu trabalho levado em um assalto?!

 

Os presentes, o carregamento?

 

O prejuízo seria irreparável!

 

Tanto tempo de trabalho e tudo ir embora em um segundo!

 

Então, melhor rezar para que isso não aconteça mesmo.

 

“Eu consolo ele, ele me consola

Boto ele no colo pra ele me ninar.”

 

Os filhos não crescem jamais!

 

Mas esse filho vai além, pois consegue consolar quem o consola!

 

É meloso, é dengoso, pois ainda se deixa ninar.

 

Como é bom o colo de uma mãe!

 

“De repente acordo, olho pro lado

E o danado já foi trabalhar, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri

E ele chega.”

 

Além de bom filho, é trabalhador e responsável!

 

Consegue levantar-se cedo, antes da mãe, quando a regra é o contrário e, é tão delicado que sai sem sequer acordá-la, e olhem que as mães têm sono levíssimo quando se trata de suas crias!

 

“Chega estampado, manchete, retrato

Com venda nos olhos, legenda e as iniciais

Eu não entendo essa gente, seu moço

Fazendo alvoroço demais

O guri no mato, acho que rindo

Acho que lindo de papo pro ar

Desde o começo, eu não disse, seu moço

Ele disse que chegava lá

Olha aí, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri.”

 

A foto do guri no jornal!

 

O que pode isso significar para a mãe?

 

O cumprimento da promessa de chegar lá?

 

O desespero a cegou para a realidade?

 

A dor a transtornou de tal modo que ela não consegue acreditar em seus próprios olhos?

 

Mas ela acha que o filho rindo” acha que “tá lindo de papo pro ar.”

 

Como somente os bacanas ficam rindo de “papo pro ar”, e isso está fazendo o filho dela parece ser um bom sinal, porém temos o “mato”!

 

Como explicar?

 

Creio que não há explicação para o amor incondicional de uma mãe pelos filhos, independentemente do que eles sejam, do que eles façam!

 

Embora digamos que elas erram, quando defendem os filhos que agem como o guri, a pergunta que fica é: que mãe não erra em relação aos filhos e que filho não erra e, o fundamental, que filho não veio de uma mãe?

 

Até “Gesù Bambino”, com todo o poder de seu pai, precisou de uma mãe para vir ao mundo, e era ela quem estava ao seu lado quando ele se foi e, me digo: se ela tivesse o poder que dizem ter o seu pai, seu filho jamais teria sido coroado com espinhos e sido pregado em uma cruz!

 

Mas, em 1981, Chico ainda não era avô, mas vendo, hoje, seu amor pelos netos, creio que ele chega a ser maior que a sua personagem mãe do guri, pois ama incondicionalmente as suas filhas e os seus netos e, então, pode errar ou acertar em dobro, se comparado com a infeliz mãe, tão retrato de todas as mães no quesito amor aos filhos.

 

Inté,

 

Osório Barbosa

 

Fonte da imagem: www.recantodasletras.com.br

 

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